quarta-feira, 22 de abril de 2015

10 Desafios de Afrodite - 5° Despedir-se do que já passou


Como desafio para esta semana, Afrodite nos trouxe o de se despedir daquilo que já passou; mágoas que guardamos, ressentimentos mal resolvidos, amores doentios, enfim, tudo aquilo que definitivamente se encerrou, mas que guardamos por puro medo, ou até mesmo esperança.
Além das questões emocionais, podemos nos despedir de nossas roupas e itens que não usamos mais, para que outros possam usufruir melhor disso. Podemos doar cobertores que já não usamos mais, peças de roupas e calçados, bem como brinquedos e outros objetos.


Como ritualística, podemos queimar papéis com nossas mágoas e ressentimentos, pedindo ao elemento fogo que ele possa transmutar esses sentimentos em coisas boas, e que o fogo possa renovar nossa vida, trazendo inspiração, coragem, destemor, bravura, entre outros.
Podemos também tomar banhos de mar, ou banhos de ervas para nos purificar, pedindo a Afrodite que ela possa aliviar nossos temores e ajudar em nossa cura espiritual. Podemos usar ervas como eucalipto, alecrim, arruda, hortelã. camomila.


Enfim é isso, espero que possamos nos despedir daquilo que não nos é mais necessário, e que possamos cada vez mais nos conectarmos com a Deusa.
Bençãos da Deusa

quarta-feira, 25 de março de 2015

10 Desafios de Afrodite - 4° Dançar Conforme a Música



O desafio de Afrodite para esta semana é dançar conforme a música. Você sabe o que isso significa? Significa que dependendo da situação, nós devemos agir conforme ao que está acontecendo, ou exigindo de nós no momento. Significa que devemos algumas vezes nos adaptar à situações que não conseguimos evitar, para que também possamos aprender com elas. Isso não quer dizer que você deva agir de modo bipolar ou fingir ser quem você não é, isso significa nadar junto à correnteza, nos deixar levar por ela, e entender que muitas vezes, aquilo que não conseguimos resolver, resolvido está.



Dançar conforme a música muitas vezes também quer dizer abdicar de velhos paradigmas, que não nos servem mais, e que somente nos entravam o caminho. Um exemplo, se você está procurando um emprego em determinada área, mas em todas as entrevistas que você faz, o entrevistador lhe pergunta sobre suas qualificações profissionais, e lhe diz que você está defasado em algum quesito ou área, para atender as demandas do mercado, o que você pode fazer nesse caso?, se qualificar, fazer um curso de idiomas, ou mesmo, um curso naquela área em que você deseja ocupar, ou seja, se a demanda pede, então dance conforme a música.



Outro exemplo, você tem que apresentar a proposta de um projeto à sua empresa, ou em um trabalho escolar, e no exato momento da apresentação, você esquece ou "tem um branco" e não consegue prosseguir, lembre-se; dance conforme a música, improvise ou passe para o próximo conteúdo, demonstrando segurança no que fala, assim, os que estão assistindo a apresentação nem irão notar, e no final, se você se lembrar do conteúdo, você pode fazer um adendo na apresentação e explicar o conceito.
Então o desafio proposto para esta semana é justamente esse, dance conforme a música, adapte-se, ouse, veja a situação por outro ângulo, e se por algum acaso você não conseguir resolver, lembre-se, a Deusa lhe auxiliará se assim for necessário.
Bençãos da Deusa 

quinta-feira, 19 de março de 2015

10 Desafios de Afrodite - 3º Reconhecer a Divindade/Sacralidade em você


Nesta semana, nosso próximo desafio será reconhecer a Divindade em nós mesmos, afinal, possuímos a centelha divina dos Deuses dentro de nós e como tal, também somos Deuses. Muitas pessoas acreditam que a divindade existe apenas fora, e que esta é apenas transcendente, se esquecendo de que tudo o que existe faz parte da divindade, de que a terra é sagrada, de que nosso corpo é sagrado, de que nossos órgãos genitais são sagrados.


Em antigas culturas, a mulher em si era considerada um altar para os Deuses, principalmente a vagina, que era e ainda é o receptáculo da energia divina, um portal pelo qual nasceram e renasceram seres iluminados.


Assim como a mulher, o homem também é um receptáculo da divindade, e com seu falo, e sua coragem, fertiliza a mulher, e consequentemente seus planos e objetivos.
Todas essas questões compõem o corpo de mistérios que nos são passados pelos Deuses, e mistérios não conseguem ser explicados, apenas vivenciados, e a partir disso, vemos o quanto tudo é sagrado, tudo está conectado com a divindade, e percebemos com isso, a sacralidade em nós mesmos.


O desafio para esta semana é este, ver e descobrir ou redescobrir a sacralidade em nós, e em tudo em nossa volta, ver o nosso corpo como algo sagrado, a ser abençoado diariamente. Descobrir a divindade dentro de nós, alimentar nossa sacralidade com atos e coisas que gostamos, como assistir um filme, cuidar mais do nosso corpo, namorar, fazer sexo, entre outros.


Podemos também nos reconectar com os Deuses, com nosso sagrado feminino e masculino, compreendendo nossos ciclos, nossos medos, e consequentemente nossas feridas emocionais. Sobre o Sagrado Feminino eu indico esse link - Resgatando o Sagrado Feminino, e para o Sagrado Masculino, este - Resgatando o Sagrado Masculino.
Então é isso, espero que possamos cada vez mais reconhecer e enxergar a sacralidade em nós mesmos, e que também possamos cada vez mais nos reconectar com a divindade, independente de qual seja ela.
Bençãos da Deusa

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

10 Desafios de Afrodite - 2º Gratidão


Continuando com a coluna sobre os 10 desafios propostos por Afrodite, temos o 2º Desafio - A Gratidão. Muitas vezes no decorrer de nosso dia, esquecemos o quão bem faz ser grato por coisas ou atitudes que fizeram por nós, por bençãos que ganhamos, presentes, entre outros.
Uma coisa que tem me chamado a atenção a algum tempo, foi o fato das pessoas não saberem mais agradecer por pequenos atos do seu dia, como quando compramos pão e a moça solicitadamente nos entrega, sem ao menos agradecê-la ou dar a ela um bom dia (muitos até dirão que isso é obrigação dela, e não faz sentido agradecer por isso). Observo também o quanto as futuras gerações estão crescendo e se tornando mimadas, mal educadas, e consequentemente mal agradecidas.



Crianças são espelhos de seus pais, e podemos notar com isso, que seus responsáveis não os estão passando os valores e princípios básicos de convivência em grupo. Não os ensinam a agradecer, a pedir licença ou até mesmo perdão por maltratar alguém, por machucar um bichinho, mas os ensinam a competir, a ter e ter, e não a ser. Vejo crianças na minha própria família que não respeitam meus avós e tios, muito menos os mais idosos amigos da família. Elas observam como é o comportamento de seus pais, e agem dessa mesma forma.



Então o desafio proposto dessa semana é justamente esse, agradecer a todos e a todas que nos fizeram algum bem ou nos ensinaram algo, independente da forma que quisermos agradecê-los. Podemos fazer algo que eles gostem, dar um presente, uma flor, ou falar, simplesmente agradecendo por aquela atitude da pessoa para conosco.


Juntamente com isso, podemos agradecer aos Deuses por todas as bençãos ofertadas, e por continuarem conosco, nos apoiando, nos dando forças para seguir em frente. Podemos agradecer Afrodite por tudo que ela tem nos proporcionado, e por todas as lições que temos aprendido, fazendo oferendas de bolos, sucos, vinho, e outras infinidades de coisas (Você encontra mais dicas aqui - Oferendas Para Afrodite).
Então é isso, espero que tenham gostado e que possamos cada vez ser mais gratos por todas as coisas que nos acontecem e por todas as lições que aprendemos.
Bençãos da Deusa

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

10 Desafios de Afrodite - 1° Amar a si mesmo

"AME A SI MESMA!!!"

Pensando em como os Deuses nos desafiam a sermos pessoas cada vez melhores, e inspirada por Afrodite, e os desafios propostos por ela à Psiquê, resolvi que alguns outros desafios podem ser propostos a nós mesmos, juntamente com a ajuda da Deusa. O 1° Desafio desta coluna, e quiçá o mais difícil de todos, é amar a si mesmo. Vocês já pensaram em como é difícil amar a si mesmo?
Vivemos em uma sociedade que nos cobra a perfeição, "o corpo dito escultural".


Cirurgias plásticas são feitas a rodo, mulheres e homens sonham em ter esse ou aquele corpo, e aprendem com o passar do tempo, que seus corpos tem algo feio, ou defeituoso, que necessita de conserto, enquanto sua personalidade, auto estima e caráter afundam num mar sem fim.
Somos forçados a gostar e sentir atração por um tipo de corpo, um modo de ser; e se não somos aquilo estipulado, nossa auto estima se torna frágil, e nos sentimos cada vez piores.


Vemos que a mídia e os meios de comunicação nos dizem que se amar é imprescindível, que se não nos amamos como somos, quem irá nos amar?, ao passo de que também somos bombardeados por essa mesma mídia, que devemos malhar, que não podemos cultivar nossa linda barriguinha, (porque é feio, e não é saudável), mas quem disse que não podemos ser saudáveis e belos ao nosso modo, sem recorrer a cirurgias, academias, e dietas milagrosas?


Acredito que é uma das atrações do momento ditar se aquele ou aquele outro corpo é saudável, apenas pelo fato de olhar, como se uma pessoa fosse mais saudável por ser magra ou por ser malhada e frequentar academia. Como podemos dizer que esta pessoa está saudável, se não sabemos a que modos ela chegou a ter esse corpo?

Muitas mulheres e homens para se manterem "sarados", recorrem a anabolizantes, hormônios, substâncias estranhas, entre outros, como também para manterem-se magras, algumas recorrem a inibidores de apetite, drogas, cigarro, entre outros. Isso é ser saudável??, Isso é ser belo??, Isso é ser amar verdadeiramente??
Não quero e nem é meu objetivo com este texto incentivar as pessoas a não se exercitarem, a não se alimentarem bem, longe de mim, apenas gostaria de compartilhar minhas reflexões sobre este tema.
Voltando ao assunto, creio que este seja um dos desafios mais difíceis, mesmo com tudo isso, com toda a exposição e falsa "felicidade e beleza" que as redes sociais nos mostram (sim, foram feitos estudos sobre isso, você encontra aqui - Falsa Felicidade nas Redes Sociais, e aqui - Instagram Causa Depressão).

Com tudo citado acima, se amar e se sentir bem consigo mesmo se torna cada vez mais difícil, e como desafio proponho não somente a mim, como para você, o seguinte, amar e tratar com carinho a nós mesmos, tratar com amor nossas estrias, celulites, marcas, sinais, nossa barriga, útero, vulva, e no caso dos homens o falo e seu poder sagrado. Ao invés de se olhar no espelho, e se maltratar, olhar para o espelho, e abraçar suas características únicas e individuais, afinal, são elas que fazem ser quem você é, é o seu corpo que leva você a lugares incríveis e faz você experimentar coisas fantásticas, então porque odiá-lo?, porque criticá-lo, quando o mais próximo e mais amigo que você tem é você mesmo e seu corpo?


Para que possamos nos amar cada vez mais, devemos começar tratando a nós mesmos com carinho e atenção, e para enfatizar isso mais ainda, deixo abaixo uma benção para fazermos conosco mesmos, pedindo a Afrodite que o amor por nós mesmos seja cada dia maior.


Bençãos da Deusa (Para as Mulheres)*
Abençoados sejam meus ombros que são fortes para levar o peso dos meus
erros desta vida e de vidas passadas.
Abençoados sejam meus seios que alimentam minhas crianças e me fazem sentir
como mulher...
Abençoado seja meu útero, tão fértil, tão parecido com minha Deusa que
nutre minhas crianças até que elas nasçam...
Abençoado seja o meu sexo, tão delicado, entretanto forte o suficiente para
aguentar o milagre do parto...
Abençoada seja a minha coluna que me mantém na vertical de forma que eu
possa enfrentar minha vida à frente...
Abençoado seja meu bumbum tão redondo e tão bonito, isso me faz orgulhosa
de ser mulher...
Abençoadas sejam minhas coxas, tão firmes e tão suaves, para me levar a todos
os lugares que manda meu coração...
Abençoadas sejam minhas pernas que sabem tão bem quando me manter e
quando dobrar procurando a Força da Mãe Terra...
Abençoados sejam meus pés que me levam aonde quer que eu tenha de buscar
os conhecimentos necessários de minha vida...
Abençoado seja meu corpo e santificada seja minha alma que aí jaz.
Que assim seja!

Bençãos da Deusa (Para os homens)*
Abençoados sejam meus ombros que são fortes para levar o peso dos meus
erros desta vida e de vidas passadas.
Abençoado seja meu falo que me torna fértil, viril, e me faz sentir como homem...
Abençoada seja a minha coluna que me mantém na vertical, de forma que eu
possa enfrentar minha vida à frente...
Abençoadas sejam minhas pernas que sabem tão bem quando me manter e
quando dobrar procurando a Força da Mãe Terra...
Abençoado sejam meus pés que me levam aonde quer que eu tenha de buscar
os conhecimentos necessários de minha vida...
Abençoado seja meu corpo e santificada seja minha alma que aí jaz.
Que assim seja!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Eros



Eros era o Deus grego do amor, um dos Erotes. Primeiramente foi considerado como um Deus olímpico, filho de Afrodite com Ares, ou apenas de Afrodite, conforme as versões. Ele é normalmente sempre retratado em pinturas acompanhado da mãe.

Hesíodo, em sua Teogonia, considera-o filho de Caos, portanto um deus primordial. Além de o descrever como sendo muito belo e irresistível, levando a ignorar o bom senso, atribui-lhe também um papel unificador e coordenador dos elementos, contribuindo para a passagem do caos ao cosmos.
Eros é retratado como uma criança alada, de cabelos louros, com aparência de inocente e travesso que jamais cresceu (que sem dúvida simboliza a eterna juventude do amor profundo). Portando um arco e flecha e até mesmo com uma tocha acesa. Sempre pronto a atingir de forma certeira suas flechas "envenenadas" com amor e a paixão. Os alvos sempre sendo a região do coração e do figado.

O arco, a flecha, as tochas e os olhos vendados simbolizam que o amor se diverte com todas as pessoas de que ele domina, pois o amor é cego, e avassalador.

Um dos mitos mais belos e conhecidos da mitologia grega é a de Eros e Psiquê. Eros, filho de Afrodite, já Psiquê, mortal, era uma das três filhas de um rei, todas muito belas, capaz de despertar a admiração de qualquer pessoa, tanto que muitos vinham de longe para apreciá-las. Logo, as duas irmãs de Psiquê casam-se. Apenas a jovem não casa, ainda que seja a mais bela das três, e justamente por isso era a mais temida, já que sua beleza fazia seus pretendentes terem medo. Consultando os oráculos, os pais da jovem entristeceram-se pelo destino da filha, já que foram aconselhados a vestirem-na com trajes de núpcias e colocarem-na num alto de um rochedo para ser desposada por um terrível monstro.

Assim que a jovem foi deixada no alto do rochedo, um vento muito forte, Zéfiro, soprou e a levou pelos ares e ela foi colocada em um vale. Psiquê adormece exausta e quando acorda parece ter sido transportada para um cenário de sonhos, um castelo enorme de mármore e ouro e vozes sussurradas que lhe informavam tudo que precisava. Foi levada aos seus aposentos e logo percebeu que alguém a acompanhava e logo descobriu que era o marido que lhe havia sido predestinado, ele era extremamente carinhoso e a fazia sentir bastante amada, mas ele havia colocado uma condição, que ela não poderia vê-lo, pois se assim o fizesse o perderia para sempre. Psiquê concorda com a condição e permanece com ele. O próprio Eros, que tinha sido encarregado de executar a vingança da mãe, se apaixonara por Psiquê, mas que tem de se manter escondido para evitar a fúria de Afrodite.
Com o passar do tempo, ela se sentia extremamente feliz, porque seu marido era o melhor dos esposos e a fazia sentir o mais profundo amor, mas resolve fazer-lhe um pedido arriscado: o de ir visitar seus pais, mesmo com a advertência dos oráculos e o temor do esposo, ela insiste, até que ele cede.


Da mesma forma que foi transportada até o seu novo lar, Psiquê vai até a casa dos pais. O reencontro gera a felicidade dos pais e a inveja das irmãs, que enchem-na de perguntas sobre o marido, e ela acaba revelando que nunca vira seu rosto. Elas acabam convencendo-na que ela deveria vê-lo e ela se enche de curiosidade.

Quando a noite chega e ela retorna à casa, o coração dela está totalmente tomado pela curiosidade, então ela acende uma vela e procura ver o rosto do marido.
Ela fica totalmente extasiada e encantada pela beleza estonteante do marido oculto, Eros, que teria feito esse pedido para que a esposa se apaixonasse pelo que é e não pela sua beleza. Psiquê ficou tão deslumbrada pela visão do esposo que não percebeu que uma gota da cera da vela pinga no peito do amado e o acorda assustado. Ele, ao ver que ela tinha quebrado a promessa, a abandona.



Sozinha e infeliz, Psiquê começou a vagar pelo mundo. Passando, assim, por vários desafios e sofrimentos impostos por Afrodite como uma vingança por ela ter ferido o seu filho, a jovem luta  tentando recuperar o seu amor, mas acaba entregando-seà morte, caindo num sono profundo. Ao vê-la tão triste e arrependida, Eros, que também sofria com a ausência da amada, implorou a Zeus que tivesse misericórdia deles. Com a concessão de Zeus, Eros usou uma de suas flechas, despertando a amada, transformando-a numa imortal, levando-a para o Olimpo.
A partir daí, Eros e Psiquê nunca mais separaram-se. O mito de Eros (o amor) e Psiquê (a alma) retrata a união entre o amor e a alma.
Em grego "psiquê" significa tanto "borboleta" como "alma". Uma alegoria à imortalidade da alma, simboliza também a alma humana provada por sofrimentos e aprovada, recebendo como prêmio o verdadeiro amor que é eterno.

Fonte: Retirado do site: InfoEscola
Retirado do site: Wikipedia
Fontes: KERÉNYI, C. Os Deuses Gregos. Trad. O.M. Cajado. São Paulo: Cultrix, 1993.

SOUSA, E. História e Mito. Brasília: Ed. UnB, 1981.

sábado, 6 de setembro de 2014

Afrodite - Arquétipo do Amor


Afrodite – O arquétipo do amor
Por Psicanalista Clínica com pós-graduação em Psicologia Analítica pela FACIS-RIBEHE, São Paulo. Especialista em Mitologia e Contos de Fada.


Afrodite é a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade. A mais bela e a mais irresistível de todas as deusas gregas.
De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, ela nasceu quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma surgida ergueu-se Afrodite. Conforme Junito Brandão (1986), Afrodite seria uma divindade obviamente importada do Oriente. Uma forma grega da deusa semítica da fecundidade e das águas fertilizantes, Astarté.                                       
O Nascimento de Vênus, de Sandro Boticeli, (1485)
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“Seu amante divino Adônis nos leva igualmente à Ásia, uma vez que Adônis é mera transposição do babilônico Tammuz, o favorito de Ishtar-Astarté, de que os Gregos modelaram sua Afrodite.”

Em outras fontes, como a Ilíada, Afrodite seria filha de Zeus e Dione, levando o título de Dionéia. Devido a essa dupla origem da deusa houve uma diferenciação da mesma, estabelecendo dois títulos a ela. A Afrodite Urânia e Pandêmia. Essa seria a inspiradora dos amores comuns, vulgares, carnais, ou seja, dos desejos incontroláveis, e a Urânia, a inspiradora de um amor etéreo, superior, imaterial, através do qual se atinge o amor supremo.
Afrodite era a deusa responsável por levar deuses e mortais a se apaixonarem. Sendo essas paixões destrutivas ou criadoras de nova vida. Tem paralelos com a Vênus romana, a Oxum africana, a egípcia Isis e a acadiana Ishtar.

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Vênus de Willendorf, entre 24.000 e 20.000 a.C.
Afrodite teve diversos amantes, tanto deuses como Ares, Dioniso e Hermes, quanto mortais como Anquises. Foi casada apenas uma vez, com o deus Hefesto, o qual ela traia com Ares, o deus da guerra. A deusa também foi de importância crucial para a lenda de Eros e Psique. E o estopim para o desencadeamento da guerra de Tróia. Foi descrita, em relatos posteriores, como amante de Adônis e também como sua mãe adotiva. Enéias, Hermafrodito e Priapo também são seus filhos.
Sendo uma deusa tipicamente oriental, nunca se encaixou bem no mito grego: parecia uma estranha no ninho! Por essa razão é tida como deusa alquímica, diferentemente das outras deusas que podem divididas em dois grupos: as virgens (Artemis, Atena e Héstia) e as vulneráveis (Hera, Deméter e Perséfone). Afrodite, então, é ao mesmo tempo vulnerável (devido ao fato de ter tido relacionamentos) e virgem (pois nunca se deixou ludibriar, nem dominar por ninguém, prezando sua autonomia), e também não é nenhuma delas.

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Alegoria da Primavera de Sandro Boticelli (1482).
Afrodite, sendo a menos grega dos olímpicos, era anteriormente um símbolo da Grande Mãe. Entretanto, devido a cristianização, foi substituída pela Virgem Maria, passando a figura da “mãe” a ter uma conotação destituída de carne e osso e de sexualidade. Trata-se, então, de um arquétipo difícil em uma sociedade patriarcal, pois Afrodite simboliza a mulher que escolhe com quem se relacionar, da mulher que conhece e aceita o seu desejo, sua sexualidade e que não se deixa dominar. É a mulher que aceita seu corpo como ele é, e se sente confortável com ele.
Infelizmente, em nossa sociedade atual esse aspecto de Afrodite está desvirtuado. As mulheres se encontram alienadas em relação a seu corpo. A mídia profana a beleza da mulher, impondo um ideal de beleza inacessível, onde as curvas tipicamente femininas são substituídas por corpos esqueléticos, mutilados por silicone e cirurgias plásticas.

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Vênus de Milo, autor desconhecido, possivelmente séc. II A.C.
Símbolo da intensidade dos relacionamentos, mas não necessariamente da permanência, Afrodite é o arquétipo do amor, da beleza, da atração erótica, da sensualidade, da sexualidade e da vida nova. É a “química” entre os amantes, o desejo irresistível e inexplicável.
Em Afrodite Pandêmia temos o amor carnal, o desejo sexual puro e simples. Visando a satisfação dos desejos e a procriação. Em Afrodite Urânia temos o amor que transforma. Simbolizando a importância das relações no sentido de processo criativo. Arquétipo da intimidade física não apenas no sentido sexual, representando uma necessidade psicológica e espiritual.
Arquétipo, portanto, da paixão por alguém ou algo, gerando um processo criativo na psique, do qual pode emergir algo novo. Amor desligado da beleza do corpo, mas da beleza da alma, levando a criação do legado que cada indivíduo irá deixar no mundo.