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terça-feira, 11 de março de 2014

Afrodite Libertas



Afrodite Libertas
Autor: Leo Fortius Dianus
"Eu sou a Deusa da Face Dourada que se ergue do mar a cada amanhecer. Sou a beleza prateada da Lua que visita as ondas e a dança das estrelas sobre as águas frias do Oceano.
Meu nome é Fascinação, e todos aqueles que conhecem meu olhar sabem que a ele nada pode resistir.
Sou a Deusa que destrói certezas e abala estruturas. Sou a Senhora da Verdade que canta na natureza humana. Aqueles que vem até mim com máscaras serão dilacerados. Aqueles que me buscam com medo serão perseguidos. Aqueles que endeusam migalhas de amor se tornarão escravos de sua própria pobreza de espírito. Sou o Tesão que persegue os castos e a Tentação que tortura os que fecham os olhos em exclusividade. Sou feita de todos os corpos do mundo e ofereço prazer além de qualquer limite; persigo aqueles que fogem de mim. Eu sou todas as formas de amar, as mais belas e as mais terríveis. Sou o amor que não pode ser explicado. Não sou Segurança, não sou Dependência; sou o Medo que você sente ao perder as ilusões sobre a natureza do Amor.
Por muitos nomes fui chamada, e muitos dizem me adorar, mas poucos são os que me abraçam verdadeiramente. Sou a Deusa que faz homens e mulheres se curvarem, caírem, sucumbirem. Em meu nome, muitas graças são rendidas, muitas velas são acesas, muitas oferendas são entregues. Mas tantos são os feridos, doentes e fracos perante meu poder! Sou Aquela que você passa a vida em busca, mas ao encontrar, foges amedrontado. Sou Aquela que você encontra ao fim do Desejo, não para terminar, mas para Desejar mais. Muitos correm de mim e tremem ao ouvir meu nome - para estes, sou Terror, Desolação e Pânico. Mas sou tudo isso apenas para os que resistem, aqueles que pensam poder controlar o fluir de minhas ondas.
Sou Arrebatamento. Sou onda furiosa do Mar que se ergue e te engole por completo. Sou maré que afoga, preenche, toma por inteiro. Mas só se perdem em minhas águas aqueles que não sabem se entregar verdadeiramente. 
Meu nome é Afrodite Libertas, a Senhora das Correntes. Sou bela, sou plena, sou muitas, assim como muitos são aos amores de meus filhos. Sou a Deusa que ensina a amar sem limites, sem barreiras e sem medo. Sou a Deusa do Amor que é Livre, que não depende do outro, que não precisa de amarras e vive sem prisões; pois esta é a natureza do Amor - simplesmente amar.
Sou Aquela que destrói os limites e mostra a imensidão das Ondas, mas que prende e escraviza os fracos e medrosos. Sou mar feito de saliva, lágrimas e suor, de sangue e esperma. Sou a fúria avassaladora da maré, que destrói tudo aquilo que se coloca em meu caminho. Sou êxtase e frenesi, a loucura e a ausência total de controle. Sou uivo selvagem na noite e o Orgasmo Cósmico que explode as estrelas. Sou o Amor que Engrandece e o Amor que Destrói. Sou aquilo que você quiser que eu seja, e para aqueles que vem a mim sem medo, concedo bênçãos de plenitude e poder. Você se entrega?"
Fonte: Tradição Diânica do Brasil

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Epítetos de Afrodite


Os epítetos são nomes que  os habitantes de cada Cidade - Estado da Grécia davam a Deusa Afrodite, então seguem abaixo os Epítetos mais conhecidos:
Aphrodite Akidalia - segundo Servius, derivada da fone Acidalius perto de Orcômeno, na qual Afrodite se banhava com as Cárites; outros ligam o nome com o grego άκιδες, acides, "preocupa-se".
Aphrodite Akraia - epíteto dado a deusa em templos situados sobre colinas.
Aphrodite Alitta ou Alilat - nome pelo qual, segundo Heródoto, os árabes chamavam Afrodite Urânia.
Aphrodite Amathousia ou Amathountia - derivada da cidade de Amathus em Chipre, um de seus centros de culto mais antigos.
Aphrodite Ambologêra - de anaballô e gêras "que afasta a velhice", nome de uma imagem em Esparta.
Aphrodite Anadyomenê - a deusa erguendo-se do mar, em alusão à sua origem e a uma famosa representação de Apeles da deusa enxugando o cabelo com suas mãos.
Aphrodite Antheia - o brotar, ou a amiga das flores, epíteto usado em Cnossos.
Aphrodite Apatouria - "a enganadora", usado em Phanagoria e outros lugares do Quersoneso Táurico, alude a um mito no qual Afrodite foi atacada por gigantes e pediu socorro a Héracles. Ele se escondeu com ela em uma caverna e, quando os gigantes aproximavam-se dela um por um, ela os entregava a Héracles para que os matasse.
Aphrodite Aphakitis - da cidade de Aphace na Coele-Syria, onde tinha um célebre templo e oráculo.
Aphrodite Apotrophia - "a expulsora", usado em Tebras, onde descrevia a deusa como expelindo o desejo dos corações dos homens depois do prazer pecaminoso. Seu culto teria sido instituído por Harmonia junto com o de Afrodite Urânia e Pandemos.
Aphrodite Arakynthias - derivada do monte Aracynthus, onde havia um templo de Afrodite.
Aphrodite Areia - a Afrodite de Ares, representada de armadura, como em Esparta.
Aphrodite Argennis - de Argennus, favorita de Agamêmnon, em homenagem à qual o rei construiu um santuário a Afrodite no rio Cephissus.
Aphroditê Hetaíra - "companheira", "amante", protetora em Atenas das hetairas propriamente ditas.
Aphrodite Kallipygos - "de bela bunda", venerada em Siracusa. A imagem alude a um conto segundo a qual um camponês tinha duas belas filhas que se puseram a discutir na rua sobre qual tinha o traseiro mais bonito. Um rapaz que passava, filho de um homem velho e rico, foi escolhido como juiz. Não só se pronunciou a favor da irmã mais velha, como se apaixonou por ela e acabou por levá-la para a cama e contar pra seu irmão mais novo. Este, curioso, foi para o campo, viu as duas garotas e se apaixonou pela mais nova. Quando o pai tentou fazer os dois jovens se casarem com moças da sua própria classe, não conseguiu convencê-los e acabou por aceitar que se casassem com suas camponesas. Ambas as moças foram chamadas de "calipígias" pelos cidadãos de Siracusa e, ao ficarem ricas e famosas, fundaram o templo de Afrodite e chamaram a deusa pelo mesmo epíteto.
Aphrodite Knidia - da cidade de Cnidus, na Cária, para a qual Praxíteles fez uma estátua célebre.
Aphrodite Kôlias - de uma estátua no promontório de Cólias, na Ática.
Aphrodite Despoina - "a déspota", epíteto usado também em relação a outras deusas, como Deméter e Perséfone.
Aphrodite Diônaia - a "filha de Dione".
Aphrodite Erykinê - derivada do monte Érix, na Sicília, que teria sido construído por Érix, filho de Afrodite e do rei Butes, ou, segundo Virgílio, por Enéias. Psófis, filha de Érix, eria construito um templo a essa Afrodite em Psófis, na Arcádia. Da Sicília, seu culto foi introduzido em Roma no início da II Guerra Púnica e em 181 a.C. foi-lhe construído um templo fora da Porta Collatina. Em Roma, representava o "amor impuro" e era a padroeira das prostitutas.
Aphrodite Gamêlii - como uma das divindades protetoras do casamento, a saber, Zeus, Hera, Afrodite, Peito e Ártemis e às vezes também as Moiras.
Aphrodite Genetyllis - como protetora dos nascimentos e às vezes como Genetile, uma divindade distinta, ou como Genaides ou Genetílides, uma classe de divindades presidindo à concepção e ao nascimento em companhia de Aphrodite Colias. O epíteto também é aplicado a Ártemis.
Aphrodite Hekaergê - "que atinge à distância", epíteto usado em Iulis, ilha de Cós.
Aphrodite Idalia - da cidade de Idálion, em Chipre.
Aphrodite Limenia, Limenitês, Limenitis ou Limenodkopos - "protetora do porto", epíteto também aplicado a Zeus, Ártemis e Pã.
Aphrodite Mêchaneus ou Mechanitis - hábil em invenções, aplicado em Megalópolis.
Aphrodite Melainis - "a negra", epíteto usado em Corinto.
Aphrodite Melinaia - derivado da cidade argiva de Meline.
Aphrodite Migônitis - derivado de Migonium, lugar dentro ou perto da ilha de Cranne, na Lacônia, onde havia um templo da deusa.
Aphrodite Morphô - "formosa", epíteto usado em Esparta à deusa representada sentada, com a cabeça coberta e os pés acorrentados.
Aphrodite Nikêphoros - "que traz a vitória", aplicado também a outras divindades.
Aphrodite Paphia - do célebre templo em Pafos, Chipre. Também havia uma estátua de Afrodite Páfia no santuário de Ino, entre Oetylus e Thalamae na Lacônia.
Aphrodite Peithô - "a persuasão", considerada uma divindade distinta em Sícion, em cuja ágora tinha um templo, mas epíteto de Afrodite em Atenas, onde seu culto teria sido introduzido por Teseu quando unificou a Ática. Em Atenas as estátuas de Peitho e Afrodite Pandemos estavam bem juntas e em Mégara a estátua de Peitho ficava no templo de Afrodite.
Syria Dea - "deusa síria", designação de Astarte.
Aphrodite Zephyritis - do promontório de Zefírio, no Egito.
Aphrodite Zêrynthia - da cidade de Zerinto na Trácia, onde seu santuário teria sido construído por Fedra.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Afrodite - A face negra do Amor

Afrodite – a face negra do amor.
 

Frequentemente, entre muitos outros, um erro tem sido cometido entre os neopagãos, talvez movidos pelo intenso pedantismo reinante ou pela misologia característica dos “novos-bruxos”, muitas divindades tem sido banalizadas e tidas como seres eternamente à disposição das vontades humanas. Infeliz engodo. Nessa ânsia de transformar de não reconhecer em certas divindades seus aspectos negativos, acabamos caindo no velho conto do cego que não deseja a visão. Afinal, é mais fácil fantasiar e decorar o mundo como um eterno mar de rosas e viver boiando sobre ele. Uma deusa que, invariavelmente tem sido alvo de tais praticas é Afrodite, umas das mais antigas divindades da arcaica religiosidade helênica. Como divindade assaz primitiva, mesmo após sua entrada no Olimpo, Afrodite permaneceu distante dos demais deuses, como Hécate ela era cultuada em diversas partes do mundo antigo, chegando até mesmo à costa norte da África onde há indícios de seu culto e lendas seus amores na região. Como Hécate, por demais inserida no cotidiano dos povos helênicos, Afrodite não apenas uma olimpiana, mas uma presença constante na vida de todos os gregos arcaicos, como é ainda hoje para os reconstrucionistas da religiosidade grega. Como deusa do amor, Afrodite não possuía em si apenas os aspectos judaico-cristãos de afetividade tola que temos inserido em nossa sociedade. Era a deusa do amor, do sexo e dos prazeres da carne, entretanto, possuía faces de
um amor celestial, divino, por demais elevado aos nossos conceitos, o amor
platônico como conhecemos hoje é regido também por essa deusa, sob o nome de Afrodite Urânia.
Em seu aspecto de sedutora Afrodite incorporava o nome de Afrodite Pandemo, “comum”, e essa sua face, tão pouco desconhecida para os povos contemporâneos, era a mais respeitada entre os gregos. Em alguns mitos ela aparece como Grande Mãe, principalmente na Ásia Menor, onde era tida também como Afrodito, recebendo barbas e transformando-se em uma divindade andrógina. Algumas lendas referem-se à ela como amante de Zeus, o Pai. Atualmente há uma pratica comum entre nossos escritores, principalmente os religiosos e não históricos, em dar destaque somente à face boa e ‘cristã’ de Afrodite, talvez por que certos conceitos ainda estejam por demais inseridos em
nossa mentalidade para serem claramente expostos. Nosso objetivo aqui não agradar aos olhos dos leitores, é tornar claro que Afrodite não era para os gregos uma divindade piedosa e caridosa, como muitos gostariam que o fosse, ao contrário, em sua face negra Afrodite se mostra como a mãe destrutiva, a deusa que dá a vida e a recolhe, sem utilizar critérios de pecado ou piedade, bondade tola para sermos mais exatos. Ligada às deusas orientais Ishtar e Astarte, Afrodite regia suas sacerdotisas nas antigas praticas da prostituição sagrada, como assim o fazia Ishtar. As sacerdotisas de Ishtar eram escolhidas em tenra idade, iam para os templos demasiado jovens, após receberem o primeiro sangramento. Lá se deitavam com viajantes e todos aqueles que ali parassem e pagassem à deusa pelos prazeres da carne. Afrodite, como nos atestam variados indícios, também era simpática a tal prática. Talvez nossas pseudo-sacerdotisas dos movimentos neopagãos se interessem por esse lado ao se dizerem filhas dessa divindade. Astarde, à semelhança de Afrodite possuía também seu consorte divino, Tamuz. Tamuz e Adônis, amantes das duas deusas, padeceram do mesmo mal, o
excesso de amor que as duas divindades lhes dedicavam. Eis a face negra do amor divino. Essa história se assemelha muito ao mito da Roda do Ano dos wiccanos de hoje, mas faremos tal analogia em uma próxima oportunidade. Afrodite, como deusa negra, recebeu entre os gregos o nome de Afrodite Zeríntia, sob o qual regia os espíritos e os mortos. Na Trácia recebia sob essa forma
sacrifícios de cães em seus oráculos. Aconselhamos assim certos indivíduos a sacrificarem seus cãezinhos à deusa do amor, ora ela é apenas regente do amor, e o amor não mata. Na península Ática seu nome Zerintia muda para Genítilis, onde também recebia sacrifícios de diversos animais, entre eles os cães, que também eram sacrificados à Hécate. Tais sacrifícios eram realizados
principalmente em oráculos, os cães como seres andantes eram tidos pelos gregos como eternos conhecedores das estradas, eram sacrificados para auxiliar em decisões de novos rumos e caminhos a serem tomados. Vale lembrar que Hécate regia os caminhos, e freqüentemente era representada tendo um cão ao seu lado, algumas vezes Cérbero, o cão de três cabeças que guardava, como se sabe, o caminho para o Tártaro, o reino dos mortos. A deusa apareceu também sob os nomes de Melena e Melênis, “a negra” e “a escura”, respectivamente. Sob o nome de Zerintia, Afrodite surge novamente como deusa negra, sob essa forma os gregos à consideravam “a mais velha das Moiras”. As Erínias, deusas da vingança e que levam a morte lenta aos infratores das leis divinas eram filhas de Urano, como Afrodite. Nessa versão de Hesíodo, enquanto Afrodite nascera do sêmen de Urano
fertilizando o mar, as Erínias e outras deusas negras surgiram do sangue de Urano, quando este tocou o mar. Essas irmãs as Erínias, possuíam como Afrodite duas faces, eram também as Eumênides, “as benevolentes”. Já falamos da ligação de Afrodite com Hécate pelo cão, o que falta ainda sobre esse tópico é que a chegada das Erínias, era sempre ouvida por um forte ladrado de cães, assim Ésquilo nos afirmou. O nome Erínia em seu significado original é “espírito de
cólera e vingança” e em alguns autores são citadas como Erini, forma única dessas divindades. Karl Kerényi nos afirma que Afrodite não era apenas uma das Erínias, e sim Erini, a mais poderosa delas. Em um trecho da tragédia ‘Hipólito’, do autor grego Eurípides, encontramos a seguinte narração:
“AFRODITE Tão grande e famoso é o meu nome entre os mortais como no céu: sou a deusa Cípris. Mas hoje ainda, devido às faltas contra mim cometidas, punirei Hipólito. De acordo com os meus desejos, Fedra, nobre esposa de seu pai, ao vê-lo, no coração foi ferida por violento amor.”
As Erínias eram os espíritos da vingança, e nessa obra antiga Afrodite surge exatamente como vingadora. Hipólito, por despreza-la e adorar Ártemis, sofrerá as conseqüências de não reconhecer em Afrodite as qualidades por ela possuídas. Eis sem mascara a deusa do amor dos jovens apaixonados, quanta ternura! Afrodite era conhecida por outros nomes, em sua maioria ligando-a à morte, e a destruição. Devido à imensa maioria dos nomes e das faces negras de Afrodite,
vemos que era cultuada mais como uma deusa negra do que como deusa do tolo amor cristianizado. Foi chamada de Afrodite Andrófono, “a matadora de homens (o mito mais conhecida de uma vingança das Erínias fala sobre sua perseguição à Orestes) Afrodite igualmente pune Hipólito. Afrodite Anósia, como “a pecadora”, nome sob o qual eram erigidos os raros templos de prostituição sagrada existente na Grécia. Como Senhora da Morte era Timborico, “a cavadora de túmulos”. Aspecto sob o qual se fazem presentes suas qualidades pouco atraentes. Algumas histórias
contam sobre uma certa Afrodite Persefessa, o sobrenome deveras semelhante à Perséfone, esposa de Hades e rainha do Tártaro, sela assim sua presença como face negra do divino feminino grego. Como cavadora de túmulos Afrodite não é a deusa celestial que tanto aspiramos adorar. É, ao
contrário a senhora negra, o útero que devassa a vida dos homens, ao mesmo tempo que lhes levava prazeres, Afrodite destruía e matava. Fez Hipólito infeliz por ousar desacredita-la e certamente não coroará de rosas certos atos e praticas que tanto a banalizam, especialmente nos tempos atuais. Afrodite mostra-nos claramente as diversas faces de uma divindade, como deusa mãe, é não
apenas o doce útero que dá à luz, mas as garras que a tiram.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os vários Epitétos


Os Vários Epítetos

O poder do amor, a paixão e o sexo, fazem parte da vida humana. Afrodite representa a própria vida, a sua beleza e o seu torpor. Protege os amantes, detendo a força de satisfazer ou provocar os desejos amorosos.
Nas atribuições à deusa, ela foi cultuada por diversos santuários com vários epítetos. Na Ática e na Argólida foram erigidos templos dedicados a Afrodite Urânia (celeste), que protegia ao amor puro e nobre. Afrodite Nínfia, era a protetora dos matrimônios, sendo mais tarde assimilada pelos romanos a Vênus Genitrix. Era sempre representada com pouca nudez.
Afrodite Pândemos (de todo o povo), venerada em toda a Ática, era a deusa do amor sensual e venal. Com o passar do tempo, passou a ser associada à prostituição. Afrodite Pândemos passou a ser chamada de Afrodite Pandemia, Hetaira e Porné (meretriz), sendo representada nas estátuas nua e em atitude luxuriosa. Seus templos em Corinto, Éfeso e Abido, tinham as prostitutas como sacerdotisas. 
Um outro epíteto, Afrodite Pelagia ou Pontia (marinha), era atribuído à deusa, tida como a protetora dos marinheiros, sendo assim venerada em Ermion, porto da Argólida. Afrodite Euplóia, venerada em Cnidos, também era uma divindade que favorecia à navegação e aos marinheiros.
Cada cidade grega apresentava um determinado epíteto à deusa. Em Chipre, considerada oficialmente a ilha de nascimento da deusa, era chamada de Afrodite Ciprogenéia (nativa de Chipre); em Pafos era Afrodite Páfis; em Amatunte Afrodite Amatúsia; e, em Idálio Afrodite Idália.
Além das cidades citadas, vários outros templos famosos foram erigidos à deusa por toda a Grécia: na ilha de Cós, no monte Erice, na Sicília...

Afrodite Uraniana e Pandemos

 X  
No final do século V a.C., os filósofos passaram a considerar Afrodite como duas deusas distintas, não individualizando seu culto: Afrodite Uraniana, nascida da espuma do mar após Cronos castrar seu pai Urano, e Afrodite Pandemos, a Afrodite comum "de todos os povos", nascida de Zeus e Dione. Entre os neo-platónicos e, eventualmente, seus intérpretes cristãos, a Afrodite Uraniana é vista como uma Afrodite celeste, representando o amor de corpo e alma, enquanto a Afrodite Pandemos está associada com o amor puramente físico. A representação da Afrodite Uraniana, com um pé descansando sobre uma tartaruga, mais tarde foi tida como a descrição emblemática do amor conjugal, a imagem é creditada a Fídias, em uma escultura criselefantina feita para Elis, numa única citação de Pausânias.
Assim, de acordo com a personagem Pausânias no Banquete de Platão, Afrodite são duas deusas, uma mais velha a outra mais jovem. A mais velha, Uraniana, é a "celeste" filha de Urano, e inspira o amor/Eros homossexual masculino (e, mais especificamente, os efebos), a jovem é chamada Pandemos, é a filha de Zeus e Dione, e dela emana todo o amor às mulheres. Pandemos é a Afrodite comum. O discurso de Pausânias distingue duas manifestações de Afrodite, representadas pelas duas histórias: Afrodite Uraniana (Afrodite "celestial"), e Afrodite Pandemos (Afrodite "Comum").

Fonte: Wikipedia