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sexta-feira, 29 de março de 2019

Renascer ...

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Faz algum tempo que eu não escrevo sobre meu sacerdócio, e desde março de 2018, venho repensando as minhas crenças e práticas, e consequentemente, adaptando ao meu modo de vida e jeito de ser. Tenho descoberto aspectos da minha personalidade, que estão sendo gratificantes de serem explorados e utilizados, qualidades, características e particularidades minhas, que estavam encobertas, muitas vezes pelo véu da ilusão e do medo, medo de ser eu mesma, medo do que os outros pensariam se eu agisse assim ou assado.
Venho me questionando se a forma de praticar ou de dedicar o sacerdócio para cada praticante, bem como para mim mesma, deve ser a que é tida como "a mais correta", o jeito certo de fazer as coisas, jeito certo pra quem, afinal, a quem eu dedico sacerdócio é a Deusa e aos demais Deuses aos quais tenho afinidade, bem como os quais também se afinizam com a minha energia., e se para Ela ou Eles está ok assim, então para quê desmerecer o meu serviço ou modo de fazer as coisas?
Quem pratica sou eu, e eu não influencio ninguém a praticar da mesma forma que a minha, então pra que me comparar?, pra quê comparar ao sacerdócio de outrem, quando na verdade, tudo começa dentro de mim, e se reverbera para fora ...
A bem da verdade, é que estou a cada dia mais sendo eu mesma, mesmo que isso doa em outras pessoas, pois eu estou seguindo a minha verdade, ao meu coração, estou escutando e dançando a minha canção, só minha.
Eu agradeço de coração a esta Deusa tão amada e querida, que tem me acolhido,e me mostrado partes desconhecidas de mim mesma, pois eu também sou ela, eu sou a Deusa.

A ti todas as coisas boas e belas
Khairé Afrodite


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Você não precisa ...

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Você não precisa ...
Você não precisa ter um corpo de revista, o seu foi feito à sua medida, porquê menosprezá-lo?
Você não precisa ser bombado(a), alto(a), forte, magro(a), alto(a), baixo(a), ter os olhos azuis ou castanhos, ou qualquer cor que seja.
Você não precisa ser fitness só porque está na moda, você não precisa se alimentar única e exclusivamente de frango e batata doce para ter a porra do shape do verão, até quando vamos deixar que essas loucuras nos dominem? até quando vamos ser escravos de um padrão irreal de beleza que se quer existe, porque o belo e o harmônico é o diferente?
Até quando vamos deixar que um Dr Bumbum ou um Dr Cara de Jhonny Bravo nos dizer o que é belo, o que é harmônico, até que ponto vamos continuar comprando uma beleza irreal, modificada, mal interpretada pelos olhos de gente tão feia por dentro?
Se você quer se exercitar ou se alimentar melhor, faça isso porque você se ama, e não porque você se odeia. Você acredita mesmo que Deus, ou os Deuses, ou a Deusa não te fizeram perfeito, completo, digno de ser amado?
Meu bem, questione-se, se ame, se respeite, e jamais deixe que te controlem, que ditem o que sua mente e seu corpo devem fazer, porque esta sociedade sim, está doente, e sim está cada vez mais criando seres doentes, então vamos nos amar, vamos cultivar amor próprio e aceitação de nossas características, o que não significa nos acomodar diante daquilo que nos incomoda.
Você não precisa ser outro alguém, você só precisa ser você mesma(o)!

domingo, 30 de dezembro de 2018

Manifesto ao Amor

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Quando o amor faz casa em mim, ele se expande e se reverbera por todos os meus poros, e transborda para todos os seres do Universo.
Todos os seres são Amor.
Todas as atitudes são amor, e as que aparentemente não são, são na verdade um pedido por amor...
Do amor nasceu tudo o que existe no Universo, todas as coisas, seres, plantas, animais e planetas...
Tudo, absolutamente tudo, nasceu do amor...
Eu que sou a mãe de todas as coisas, desafio a cada um de vocês, a se amarem mutuamente, a desenvolverem o amor em vocês, pois não existe nada que não seja doado ou realizado em nome do amor...
Somente amando a si mesmos, é que vocês poderão reverberar esse mesmo amor a todos os seres, e consequentemente, esse amor retornará a vocês.
Peço que irradiem amor, transbordem e transpirem amor, que o amor seja o início, meio e fim de todas as coisas.
E que esse mesmo amor seja uno a mim.
Bençãos da Senhora Sagrada
Autor: Esthefany M. E. de Andrade

terça-feira, 27 de março de 2018

Amor próprio e Auto aceitação - Bases para o culto a Afrodite

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Afrodite concede amor, graça, beleza...
Comumente observamos em determinados textos o uso desta expressão acima, que Afrodite confere às pessoas, graça, beleza, harmonia, e temos com isso, a crença de que a Deusa possa nos beneficiar com estas bençãos, mas, aprofundando nosso contato espiritual e vivenciando com esta Deusa, podemos observar que estas bençãos já nos pertencem, mas nós não as aceitamos ou agradecemos por elas.
Todos nós possuímos características, talentos e aptidões, que são dons ofertados pela Deusa no momento de nosso nascimento, e com a não aceitação aos nossos corpos e às nossas caraterísticas individuais e únicas, iniciamos um processo de auto sabotagem e desrespeito conosco mesmo, invalidando nossas características e personalidade, em prol de características e personalidades tidas pela sociedade como sendo as mais perfeitas e belas.
Oferecer culto a Afrodite requer cuidado e amor próprio, requer cuidado consigo mesmo, requer olhar para nossas partes sombrias e desconhecidas e oferecer amparo, acolhimento. Zelar pelo nosso corpo, respeitando nossos limites emocionais, de "até esse ponto eu posso ir, nenhum ponto a mais", não deixar que nos desrespeitem com palavras de baixo calão, cuidar da nossa alimentação e bem estar, requer aceitação as nossas características, mas requer também, mudar algo que não esteja de acordo com quem somos, mudar nossas crenças, mudar nossas atitudes, e evoluir como seres mais centrados e harmônicos.
Afrodite pode nos conceder todas estas questões, mas antes de tudo, devemos ser gratos por termos conosco esses atributos, perceber que somos parte da Deusa, que possuímos a centelha divina da criação, pois a partir disso, perceberemos que somos belos, graciosos e amorosos a nossa maneira.
Torna-te quem tu és.
Bençãos da Deusa

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O que aprendi nesses últimos tempos sobre Amor


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Tenho refletido muito comigo mesma e com outras pessoas acerca sobre o significado do amor, o que é amor, e porque tudo gira em torno dele, e em consequência disso, pude entender que tudo em todo o Universo, em todas as pessoas, nasce a partir do amor, do querer e do sentir amor em plenitude.
Quando amamos a nós mesmos, consequentemente não aceitamos sermos tratados com desprezo ou desrespeito; o contrário também é perceptivo, tendo em vista que se não nos amamos, pouco importa tratar o outro com respeito e dignidade, porque o primeiro amor não está sendo exercitado, que é quele que acontece de nós para nós mesmos.
Todas essas coisas parecem clichê, parecem meio batidas, mas a grande verdade é que o amor é o alicerce de tudo o que existe, mesmo em Mitologia, o amor sempre é o primeiro a nascer e a se fazer necessário para a criação de todos os outros seres, e ao buscarmos esses mitos, observamos que o amor e o desejo tem estreita ligação com tudo o que é vivo, pois a partir do momento que existe desejo(vontade, querer) tudo nasce, viceja e cresce.
Então, que possamos acender em amor e desejo, amor por nós mesmos, amor pelos outros, por nossos objetivos, por nossas crenças, amor por quem somos.
"E ainda, que eu falasse a língua do anjos, e falasse a língua do homens, sem amor, eu nada seria"

terça-feira, 21 de março de 2017

O que Afrodite não é?

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Afrodite não é sua Deusa de prateleira, onde você pode cultuá-la apenas quando quiser, somente para conseguir um novo amor ...
Afrodite não é a cura (ou talvez seja, quem sabe né) para sua falta de amor próprio, pois andando pelos caminhos dela, você encontrará o amor que já existia dentro de você, que estava apenas adormecido ...
Afrodite não é a Deusa para lhe deixar mais bela, mais formosa aos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade, e pela auto tortura imposta ao seu corpo por você mesma ...
Afrodite não é "bagunça", não é sua "Deusa mãe" por você ser apenas bonitinha, e legalzinha, entre outras coisas ...
Afrodite não é obrigada a fazer algo que você peça, porque você simplesmente lhe ofertou algo ...
Afrodite é livre, independente, insubordinada, ela não é sua Deusa escrava, ela não é obrigada!!!
Afrodite é liberdade, é amor, é rebeldia, é ser você mesma, mesmo que isso custe romper relacionamentos, empregos e antigas crenças.
Afrodite é você!!
Sem dogmas, sem falsos moralismos, sem mendicância e sem ser obrigada!! 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A Beleza que você não vê

I like her face better with a different headdress:

A Beleza que você não vê
Em nossa sociedade, têm-se a costumeira tradição de nos tornarmos mais belos do que já somos, o que de certa forma pode ser considerado algo extremamente positivo, haja visto que procuramos sempre melhorarmos a nós mesmos e as nossas aparências. Em contrapartida, percebe-se o grande número de pessoas, ansiosas e desejosas por demonstrações de afeto e apreciação por parte de outrem, levando muitas vezes em conta, os desejos e objetivos externos, e quase nunca internos.
Estas pessoas consomem e vendem a beleza, que em muitas vezes sequer existe, como a “beleza perfecta” das redes sociais e propagandas, o que, em longo prazo, poderá ocasionar seríssimos danos em suas questões mentais e psicológicas, pois têm-se constantemente que nada é o bastante, e que atingindo um patamar de “perfeição”, este logo será trocado por outro, e por outro, em um eterno ciclo. Nestas ocasiões, é comum notar um distanciamento da nossa verdadeira natureza, animal, selvática, e o meio ambiente passa a ser um mero fornecedor de matéria prima, para a confecção de mais e mais produtos.
Em meio a esta desenfreada loucura, se parássemos e observássemos mais a nossa Terra, a nossa Grande Mãe, veríamos o quanto ela pode nos ensinar sobre a verdadeira essência da beleza. Ora, será que a rosa, em sua mais esplendorosa forma e cor, fica se questionando se ela está bela o suficiente, ou se o odor dela é melhor ou pior que o de outras flores? O sabiá, com seu magnifico canto, questiona-se se o seu canto é melhor ou pior que o de outros pássaros?
Ao nos questionarmos sobre estas reflexões, retornamos a nossa essência mais selvática e natural, e mantemos assim, o nosso verdadeiro contato com a natureza. Ao nos reconectarmos com a terra, percebemos que cada beleza é única e especial em si, e que ao nos compararmos aos outros, nós nos perdemos de nós mesmos, e projetamos uma beleza irreal, plastificada e frágil.
Se pudéssemos perceber, que o nosso contato e respeito com a Terra nos leva de volta a fonte da eterna beleza, bem como da sustentabilidade e correta utilização dos recursos naturais por parte de todos, estaríamos nesse sentido, nos conectando com a Terra, encontrando a nós mesmos e a nossa verdadeira essência, que jamais desapareceu, esteve apenas encoberta por anos e anos de medo, reprovação e autocrítica.

Que assim como a mãe Terra, possamos ser belas e belos a nossa maneira, e com isso, enxergar em outros, esta mesma beleza, sincera, crua, inefável e plena; a beleza de ser quem se é.

Autor: Esthefany Evaristo de Andrade

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sobre amar a si mesma


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<3 Sobre amar a si mesma.
Uma das coisas mais deliciosas de nossas vidas, é encontrar alguém que nos ame inteiramente, completamente, sem máscaras . Muitas vezes, antes de encontrar esse alguém maravilhoso, passamos por baques e decepções, que nos fazem sentir não desejados, não merecedores de amor, ao passo de que se resignificássemos essas situações, poderíamos aprender e nos desenvolver como seres humanos melhores. Cada pessoa que passa em nossa vida, nos ajuda a identificar aspectos nossos que muitas vezes estão desconhecidos de nós mesmos. Quando odiamos ou amamos algo em alguém, nós refletimos nossas características em quem amamos, como um espelho. Você não pode (re-conhecer) algo em alguém, que você já não conheça em si mesma, então dessa forma, podemos nos amar, e perdoar nossas situações traumáticas, ressignificando-as. Fazendo isso, estamos caminhando em direção ao amor próprio, ao auto perdão, bem como ao auto conhecimento. 
Como desafio para este mês, propomos nos amar mais, nos perdoar se algo não aconteceu da maneira que gostaríamos que fosse (o ego, oh senhor ego), cuidar mais de nós mesmas, mesmo das características que entendemos como "defeitos", pois são elas que nos fazem ser quem somos, da maneira que somos.
Somos parte da criação divina, temos a centelha deste divino dentro de nós mesmos, então não esquece, Foca no amor. <3
Um beijo, e um bom mês para todos nós ;)

terça-feira, 31 de maio de 2016

Afrodite - Oráculo da Deusa


Afrodite
Quando abro meu coração,
Estou cheia,
De uma deleite tão intenso, de um êxtase tão doce, de um prazer tão profundo ...
O contato com meu amado, leva-me a todos os lugares, 
E a união toca rapsódias em minha alma ...
Posso alcançar a união, quando alcanço a unidade comigo mesma.
Posso dançar em parceria, quando consigo dançar sozinha,
Posso amar ao outro, quando amo a mim mesma.
Oráculo da Deusa - Amy Marashinsky

quarta-feira, 15 de julho de 2015

3 Anos de blog, Dona Frô e sacerdócio \O/


Em abril deste ano completamos 3 anos de blog e sacerdócio à Afrodite \O/, e na época, como estava envolvida com outras postagens e outras questões, acabei esquecendo dos nossos 3 aninhos!!


Nesse tempo, descobri tantas coisas em relação a mim mesma, bem como aos meus Deuses e Deusas de culto, principalmente Afrodite. Dona Frô me ensinou e ensina muitas coisas, e essa postagem, assim como em tantas outras vai em agradecimento a ela, por tudo que ela tem me proporcionado, por todos os desafios e bençãos que ela me ofertou, por todas as lágrimas e risos que tive com ela, e por tudo que pude conhecer e reconhecer ao lado dela.
Honrar Afrodite para mim é mais do que uma benção, é Amor, puro Amor, e mesmo que algumas vezes eu tenha pensado e me queixado pelas coisas que aconteceram comigo e por ela ter deixado que acontecessem, sei que tudo teve um propósito, que minha racional mente humana não pôde compreender.


Esta postagem também vai em agradecimento a todas as pessoas que veem e leem o blog, que enviam comentários, dúvidas e questões, e que me ajudaram nas reflexões e em muitas outras coisas. Agradeço a todos vocês, e espero que possa ter ajudado com meus pensamentos e vivências.
E como o três é um número relacionado tanto ao Sagrado Feminino quanto ao Sagrado Masculino, e principalmente a Deusa, e com tantas sincronicidades, a soma do dia de hoje é incrivelmente 3 \O/

E no Tarot, o arcano 3 é a Imperatriz, que para nós pagãos simboliza exatamente a Deusa Mãe, doadora e ceifeira da vida, com seus frutos e grãos, gestando nossas vidas e projetos.
Então, com tudo citado acima, agradeço cada dia mais e mais as oportunidades e desafios que desbravei por honrar Afrodite e por caminhar com ela em minha jornada.
Enfim é isso, parabéns por nossos 3 aninhos \O/, e lá vem mais pela frente
Beijos e Bençãos da Deusa

sábado, 6 de setembro de 2014

Afrodite - Arquétipo do Amor


Afrodite – O arquétipo do amor
Por Psicanalista Clínica com pós-graduação em Psicologia Analítica pela FACIS-RIBEHE, São Paulo. Especialista em Mitologia e Contos de Fada.


Afrodite é a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade. A mais bela e a mais irresistível de todas as deusas gregas.
De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, ela nasceu quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma surgida ergueu-se Afrodite. Conforme Junito Brandão (1986), Afrodite seria uma divindade obviamente importada do Oriente. Uma forma grega da deusa semítica da fecundidade e das águas fertilizantes, Astarté.                                       
O Nascimento de Vênus, de Sandro Boticeli, (1485)
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“Seu amante divino Adônis nos leva igualmente à Ásia, uma vez que Adônis é mera transposição do babilônico Tammuz, o favorito de Ishtar-Astarté, de que os Gregos modelaram sua Afrodite.”

Em outras fontes, como a Ilíada, Afrodite seria filha de Zeus e Dione, levando o título de Dionéia. Devido a essa dupla origem da deusa houve uma diferenciação da mesma, estabelecendo dois títulos a ela. A Afrodite Urânia e Pandêmia. Essa seria a inspiradora dos amores comuns, vulgares, carnais, ou seja, dos desejos incontroláveis, e a Urânia, a inspiradora de um amor etéreo, superior, imaterial, através do qual se atinge o amor supremo.
Afrodite era a deusa responsável por levar deuses e mortais a se apaixonarem. Sendo essas paixões destrutivas ou criadoras de nova vida. Tem paralelos com a Vênus romana, a Oxum africana, a egípcia Isis e a acadiana Ishtar.

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Vênus de Willendorf, entre 24.000 e 20.000 a.C.
Afrodite teve diversos amantes, tanto deuses como Ares, Dioniso e Hermes, quanto mortais como Anquises. Foi casada apenas uma vez, com o deus Hefesto, o qual ela traia com Ares, o deus da guerra. A deusa também foi de importância crucial para a lenda de Eros e Psique. E o estopim para o desencadeamento da guerra de Tróia. Foi descrita, em relatos posteriores, como amante de Adônis e também como sua mãe adotiva. Enéias, Hermafrodito e Priapo também são seus filhos.
Sendo uma deusa tipicamente oriental, nunca se encaixou bem no mito grego: parecia uma estranha no ninho! Por essa razão é tida como deusa alquímica, diferentemente das outras deusas que podem divididas em dois grupos: as virgens (Artemis, Atena e Héstia) e as vulneráveis (Hera, Deméter e Perséfone). Afrodite, então, é ao mesmo tempo vulnerável (devido ao fato de ter tido relacionamentos) e virgem (pois nunca se deixou ludibriar, nem dominar por ninguém, prezando sua autonomia), e também não é nenhuma delas.

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Alegoria da Primavera de Sandro Boticelli (1482).
Afrodite, sendo a menos grega dos olímpicos, era anteriormente um símbolo da Grande Mãe. Entretanto, devido a cristianização, foi substituída pela Virgem Maria, passando a figura da “mãe” a ter uma conotação destituída de carne e osso e de sexualidade. Trata-se, então, de um arquétipo difícil em uma sociedade patriarcal, pois Afrodite simboliza a mulher que escolhe com quem se relacionar, da mulher que conhece e aceita o seu desejo, sua sexualidade e que não se deixa dominar. É a mulher que aceita seu corpo como ele é, e se sente confortável com ele.
Infelizmente, em nossa sociedade atual esse aspecto de Afrodite está desvirtuado. As mulheres se encontram alienadas em relação a seu corpo. A mídia profana a beleza da mulher, impondo um ideal de beleza inacessível, onde as curvas tipicamente femininas são substituídas por corpos esqueléticos, mutilados por silicone e cirurgias plásticas.

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Vênus de Milo, autor desconhecido, possivelmente séc. II A.C.
Símbolo da intensidade dos relacionamentos, mas não necessariamente da permanência, Afrodite é o arquétipo do amor, da beleza, da atração erótica, da sensualidade, da sexualidade e da vida nova. É a “química” entre os amantes, o desejo irresistível e inexplicável.
Em Afrodite Pandêmia temos o amor carnal, o desejo sexual puro e simples. Visando a satisfação dos desejos e a procriação. Em Afrodite Urânia temos o amor que transforma. Simbolizando a importância das relações no sentido de processo criativo. Arquétipo da intimidade física não apenas no sentido sexual, representando uma necessidade psicológica e espiritual.
Arquétipo, portanto, da paixão por alguém ou algo, gerando um processo criativo na psique, do qual pode emergir algo novo. Amor desligado da beleza do corpo, mas da beleza da alma, levando a criação do legado que cada indivíduo irá deixar no mundo.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Afrodite: Uma força para os novos tempos

Situada na costa sudoeste da ilha de Chipre, a maior ilha do Mar Mediterrâneo, vamos encontrar a velha cidade de Paphos, hoje conhecida como Kauklia. De acordo com a transmissão mitológica grega, foi nestas redondezas que a bela Afrodite emergiu das espumas do mar, dando início a um culto que iria perdurar até os dias de hoje.

As paragens por onde caminhou a deusa sobre a terra se tornaram conhecidas como Geroskipou, uma palavra que significa Jardins Sagrados, formado pela junção de Geros=sagrado e Kipos=jardim. A conexão entre as práticas de seu culto e as belezas naturais da região se expressa em sua nomeação como ‘Afrodite nos Jardins’ (Kipis).

Nesta sua versão oriental, Afrodite era cultuada como propiciadora de toda fertilidade animal e vegetal e, sob este aspecto, uma deusa específica das mulheres. Como deusa do impulso sexual, está na origem do nascimento, do casamento e da vida familiar.

A região de Pafos, que abrange a parte mais a oeste da ilha, caracteriza-se pela beleza de suas rochas, pelo brilho de suas verdejantes campinas e pela tranquilidade de seu mar azul, justificando sua reputação como os Jardins de Afrodite.

Nestes jardins era realizado o festival anual de Aphrodisia, em honra à deusa. Ele marcava seu nascimento em abril, exatamente no período do renascimento da natureza, após o descanso invernal. No dia anterior ao festival, os devotos de todo o mundo antigo percorriam o caminho desde os Jardins até a cidade de Palepaphos (Paphos Antiga), onde ficava a famosa Igreja de Afrodite, seu centro de culto no Chipre.

Mas seu lugar de culto e seu altar em Paphos já estavam bem estabelecidos muito tempo antes que as primeiras estruturas fossem erguidas, no final da Idade do Bronze. Vestígios de assentamentos humanos na ilha de Chipre, provavelmente tribos oriundas da Anatólia, existem desde 10 mil aec, como comprovam poços localizados a oeste da ilha, considerados os mais antigos do mundo. O hino homérico a Afrodite lhe atribui a regência sobre todas as coisas vivas na terra, no ar e na água, sua influência se estendendo até sobre os deuses.

Em Paphos, a deusa era representada por uma pedra meteórica cônica, relíquia indicativa de sua origem como a antiga deusa fenícia da fertilidade que, assimilada pelos gregos conquistadores, tornou-se a deusa grega do amor e da beleza. Suas raízes como deusa da fertilidade, contudo, permencem no mito grego, que nos relata como, ao emergir das águas e apoiar seus pés sobre a terra, ela fez a vida e a beleza irromperem no mundo. Seu caráter como uma deusa da vegetação aparece claramente no culto e ritual de Adonis, derivado do culto a Átis, filho/amante/parceiro da grande deusa da Anatólia, conhecida pelo nome de Cibele.

Os mais famosos ritos de fertilidade, contudo, não se originaram na Grécia e sim nos países ribeirinhos da parte oriental do Mar Mediterrâneo. Foram os povos do Egito e da Ásia Ocidental que representaram o declínio e o ressurgimento da vida vegetal na figura do deus que anualmente morre para ser trazido à vida novamente pela grande deusa da vida e da morte. A deusa e seu filho/amante são conhecidos sob nomes diversos, como Isis e Osíris no Egito, Inanna e Dumuzi na Suméria, Ishtar e Tamuz na Babilônia, Cibele e Átis na Anatólia e, finalmente, Afrodite e Adonis na Grécia.

Assim como Afrodite Urania é a versão grega da Deusa da Montanha da Anatólia, Adonis é a versão grega de Átis, um deus da vegetação, que nasce e morre com as estações, estas representadas pelas Horas que, no mito grego, recepcionam Afrodite quando ela emerge do mar em Chipre.

Nas línguas semíticas, Adonis significa ‘Senhor’, título que os gregos, por um mal-entendido, adotaram como nome próprio para o deus.

Conta o mito grego que, um dia, a esposa do Rei de Chipre se vangloriou de que sua filha Smyrna era mais bela que a própria Afrodite. Diante do insulto, a deusa fez com que Smyrna se apaixonasse pelo próprio pai e o procurasse disfarçada e secretamente durante a noite. Grávida, ela é expulsa pelo pai que a persegue pelos campos. Para protegê-la, Afrodite a transforma em uma árvore de mirra que, ao ser partida ao meio pela espada paterna, liberta a criança Adonis. Afrodite então ocultou Adonis em uma arca, que confiou a Perséfone, a rainha dos mortos, para que a guardasse em um lugar escuro.

Curiosa, Perséfone abriu a arca e, ao se deparar com a bela criança, retirou Adonis e o criou em seu palácio, tornando-o seu amante. Ao se inteirar disto, a enciumada Afrodite requisitou Adonis para si. Para resolver o impasse, foi convocada uma corte divina que decidiu que ele ficaria um terço do ano com Perséfone, um terço do ano com Afrodite e um terço do ano ficaria por conta própria. Usando de sua magia, Afrodite conseguiu persuadi-lo de passar esse terço com ela.

Mas Perséfone foi ter com Ares para lhe contar que Afrodite agora preferia Adonis a ele que, então, se disfarçou de javali e matou Adonis diante de Afrodite. Do sangue de Adonis que penetrou na terra brotaram anêmonas, a primeira das flores a florescer na primavera. Pesarosa, Afrodite foi pedir a intervenção de Zeus, para que Adonis passasse com ela a metade ensolarada do ano, ou seja, o verão.

Vemos no mito de Adonis a eterna alternância entre verão e inverno, entre a vida e a morte da natureza e de todas as coisas vivas. É justamente esta alternância que põe em evidência a dualidade característica de toda criação humana. Se nos primórdios, esta ambivalência era inerente à figura da grande deusa, que corporificava ambos os aspectos, com a evolução da consciência humana, a totalidade da existência representada pela grande deusa foi desmembrada em suas partes constituintes.

Esse desmembramento certamente representou um processo evolutivo, caracterizado pela capacidade de discernimento da razão humana. Foi a emergência do princípio masculino, que se diferencia a partir da totalidade característica do princípio feminino primordial. Surge inicialmente como filho da grande deusa-mãe, para ela retornando sazonalmente, apenas para renascer no devido tempo. É a consciência da morte que põe a vida em perspectiva.

Como deusa da fertilidade, do amor e da beleza, Afrodite foi cultuada sem interrupção até o ano de 391 da era comum, quando o imperador romano Teodosio I proibiu as religiões pagãs. Sem os seus ritos e festivais, aos poucos seu poder e suas qualidades de fertilidade, amor e beleza foram desvirtuadas e banalizadas.

À medida que o princípio masculino foi se expandindo e assumindo o poder, o discernimento se tornou separação. E com ela surge a consciência do bem e do mal, expulsando-nos dos Jardins de Afrodite.

Afrodite representa o poder erótico, a força de atração que mantém o universo coeso. Na ausência de ritos que honram este poder divino, a beleza fundamental da própria vida foi gradualmente dessacralizada e, nas palavras de Rollo May, “a crescente banalização do amor na literatura e na arte, e o fato de o sexo ser, para muita gente, cada vez mais acessível e desprovido de significado, o ‘amor’ tornou-se progressivamente difícil, senão uma completa ilusão”. Como consequência, todos sofremos a falta de amor verdadeiro e nos tornamos incapazes de nos comprometer com ele e com o resto do mundo.

Esse processo de banalização das qualidades representadas pela deusa Afrodite é amplamente discutido pelo psicanalista Rollo May, em seu texto Eros e Repressão de 1969, e continua atual nos nossos dias tão tumultuados.

A força de atração representada por Afrodite não é um impulso da personalidade, mas emerge do fundamento do Ser e se apossa da pessoa em sua inteireza, como bem o sabemos quando nos apaixonamos verdadeiramente. Essencialmente criativa, essa força fundamental e arquetípica da experiência humana era concebida pelos antigos gregos como demoníaca, no sentido derivado do conceito de ‘daimon’ ou do latim ‘genii’. O demoníaco é nossa genialidade. É o impulso do Ser para se firmar, perpetuar e ampliar, nos libertando da dualidade e nos conectando com o divino em nós mesmos.

Mas, como qualquer força natural, pode ser destrutiva ou criativa, razão pela qual precisa ser orientada e canalizada para um objetivo, em vez de simplesmente ser reprimida até o ponto de apatia e indiferença para, com o tempo, explodir como violência. Quando lhe damos passagem livre, não levando em consideração as consequências de nossas ações na vida de outras pessoas, podemos causar muito dano. Mas quando a utilizamos com sabedoria para realizar nossos propósitos, seus efeitos construtivos se manifestarão em seu esplendor divino.

"Em sua justa proporção”, escreve May, “o demoníaco é o impulso para alcançar os outros, ampliar a vida por meio do sexo, criar, civilizar; é alegria e encantamento, ou a simples segurança de saber que somos importantes, que podemos afetar os outros, formá-los, exercer um poder significativo. É um modo de nos certificarmos de que nos dão valor.”

Reprimimos de tal forma essa força primordial, que nossos relacionamentos não passam de contatos rasos, baseados mais em aparências superficiais do que em algo profundo, aquilo que é demoníaco em cada um de nós. É preciso mergulhar nas profundezas da ambivalência, onde vida e morte estão presentes, para recuperarmos a força natural que nos conecta com a totalidade da vida. Precisamos acolher e direcionar o demoníaco em nós mesmos, para ele não se tornar algo que nos persegue e se apossa de nós.

Mais do que nunca, precisamos caminhar como Afrodite, para que cada passo que dermos desperte o amor, a paixão e a beleza da vida, de seu estado de apatia e superficialidade, fazendo a vida renascer em sua abundância. Assim criaremos Jardins de Afrodite onde quer que nos encontremos.

Retirado do Site: Monika Von Koss
Escrito por: Monika Von Koss

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vênus - Afrodite - All you need is love


Olá crianças,
Semana anterior falamos sobre a Razão: um dos 3 pilares da Magia e também dos 3 estados de consciência que precisam ser trabalhados e dominados dentro de cada um de nós. Falei sobre os deuses associados à razão, à lógica e ao entendimento e como os antigos utilizavam-se destas alegorias e representações para facilitar o domínio destes conceitos.

Hoje falaremos sobre o contraponto feminino em nossa mente. Associado ao elemento Água, ao naipe de taças (copas) e ao sagrado feminino, a Emoção está representada na esfera de Netzach.

Inanna

A representação mais antiga de Netzach era a deusa Inanna.
Inanna era a deusa do amor, do erotismo, da fecundidade e da fertilidade, entre os antigos Sumérios, sendo associada ao planeta Vênus.
Era especialmente cultuada nos enormes e importantes templos em Ur, mas era alvo de culto em todas as cidades sumérias.
Inanna surge em praticamente todos os mitos, sobretudo pelo seu carácter de deusa do amor (embora seja sempre referida como a virgem Inanna). Inanna representava também a primavera e as festividades relacionadas com o plantio. Sua história conta que como a deusa se tivesse apaixonado pelo jovem Dumuzi (um deus que antes era humano, representante das plantações, que todo ano morria e posteriormente era ressuscitado… já viram este mito em algum lugar antes?). Durante o Inverno, tendo Duzumi morrido, a deusa Inanna desceu aos Infernos para o resgatar dos mortos, para que este pudesse dar vida à humanidade, agora transformado em deus da agricultura e da vegetação no final dos tempos tenebrosos.
É cognata das deusas semitas da Mesopotâmia (Ishtar) e de Canaã (Asterote e Anat), tanto em termos de mitologia como de significado.
Ishtar

Da deusa Inanna, surgiu na suméria o culto a Ishtar.
Ishtar é a deusa mãe dos acádios, herança dos seus antecessores sumérios, cognata da deusa Asterote dos filisteus, de Isis dos egipcios, Inanna dos sumérios e da Astartedos Gregos. Mais tarde esta deusa foi assumida também na mitologia Nórdica comoEaster - a deusa da fertilidade e da primavera.
Esta deusa era irmã gêmea de Shamash (que era o deus solar – preste atenção que isto é importante!) e filha do deus Sin, o deus lunar (e isto também será importante). Até este momento da história, quando os homens não tinham muita certeza sobre como as mulheres geravam os filhos, as principais divindades eram todas matriarcais, e associadas ao Sol.
Assim como Inanna, Ishtar também é representada pelo planeta Vênus.
Eu já havia falado sobre os ritos sexuais do Hieros Gamos AQUIAQUI AQUI, então não vou repetir. Além destes rituais, o mais importante festival em honra a Ishtar consistia na Celebração do Equinócio da Primavera.
Neste ritual, os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam nos campos. Para quem não fez as contas ainda, o Equinócio da Primavera cai aproximadamente dia 21 de Março, inicio do período de plantações.
Estes ovos continham runas e magias de Sigil pintadas cuidadosamente sobre eles (ensinarei sobre magia de Sigil daqui algumas colunas). Estes ovos eram enterradas nos campos e, quando os ovos eram destruídos pelos arados, os desejos escritos nos ovos se realizavam. Esta é a origem dos ovos “coloridos” de “Páscoa” (na verdade, eles não eram apenas “pintados”, mas escritos com runas e sigils de várias cores, representando cada cor e símbolo dos desejos a serem realizados)… calma que chegaremos nos coelhos daqui a pouco.
[um parênteses – hoje em dia, quando alguém vai em um templo de Umbanda e Candomble e recebe uma instrução de um Exú ou Bombo-Gira para acender tantas velas de tal cor para realizar um pedido, ou quando amarramos fitas de cores específicas nos galhos de uma árvore no Japão, no festival de Tanabata, ou quando desligamos nossa mente pintando mandalas com areia colorida, estamos falando do MESMO tipo de magia ritualística, apenas em formas e culturas diferentes – fim do parênteses].
Ísis

Isis é a deusa suprema do panteão egipcio; a grande mãe, a grande deusa, a criadora da vida. Ela era descrita como tendo pele clara, olhos azuis e cabelos negros. Junto com Osíris e Hórus, fazia parte da trindade sagrada dos deuses egípcios.
As lendas diziam que suas sacerdotisas eram capazes de controlar o clima prendendo ou soltando seus cabelos. Seus sacerdotes conheciam como ninguém as artes de trabalhar com metalurgia. Assim como nas culturas anteriores, o culto à deusa-mãe que representava as forças da natureza era muito difundido. Ísis era a deusa da sabedoria, detentora de todos os poderes mágicos dentro nas iniciações das Pirâmides (o chamado “Véu de Ísis”). Repare no “carretel de empinar pipas” que ela carrega em sua mão esquerda. Mais tarde falaremos sobre ele.
Ísis era casada com seu irmão osíris e ambos governavam o Egito. Enquanto Osíris estava espalhando suas idéias de civilização pelo mundo, Isis governava o Egito. Porém, seu irmão Seth era um deus violento e invejoso e queria o trono para si. Quando Osíris retornou a Menphis, Seth convocou 72 auxiliares e o convidou para um banquete. Durante o jantar, ele mostrou um belíssimo baú e disse que qualquer pessoa que coubesse dentro dele seria seu dono. Osíris coube perfeitamente, mas Seth e seus seguidores fecharam o baú com chumbo derretido e jogaram a caixa no Nilo.
A caixa chegou na Fenícia, onde uma árvore de Tâmaras cresceu ao seu redor. Mais tarde, quando esta árvore foi cortada e levada para fazer um pilar de um templo no palácio do rei, o odor da árvore era tão maravilhoso e diferente que a história acabou chegando até os ouvidos de Ísis e Seth.


Seth chegou primeiro ao baú e despedaçou o corpo de Osíris em 14 pedaços, que espalhou pelo Egito. Quando Ísis conseguiu chegar até o baú, ficou desesperada e começou a procurar pelas partes de Osíris por toda a terra, até que conseguiu recuperar todas as partes de seu amado (exceto seu falo, que havia sido devorado por um caranguejo) e levá-lo para os pântanos da deusa cobra Buto. Ali, utilizando-se de magias de Thoth e Anubis, Ísis conseguiu reanimar a essência de seu amado tempo suficiente para gerar um filho (sem contato sexual), chamado Hórus. Ísis era considerada uma deusa-virgem até então, de onde pode-se dizer que Hórus nasceu de uma Virgem.
Hórus simboliza a criança do solstício de Inverno; a esperança que o sol mais uma vez surgirá após o tenebroso inverno.
Em seguida, Ísis realiza os ritos de embalsamar, preparando Osíris para a viagem ao Próximo Mundo. Ísis e Hórus permanecem no pântano de Buto até que Hórus esteja forte o suficiente para desafiar seu tio Seth.
Quando estava em idade adequada, foi chamado um conselho dos deuses e Hórus pediu a eles que recuperasse o trono que era seu por direito. Todos os deuses votaram para que o trono permanecesse com Seth, exceto Toth (a Razão). O trono permanecia com Seth.
Ísis começou a proferir maldições e Seth ficou furioso, ameaçando matar um deus por dia até que os deuses decidissem a seu favor. Para evitar maiores problemas, Rá ordenou que a votação fosse movida para um santuário em uma Ilha e deu instruções ao barqueiro Ani para que nenhuma mulher cruzasse aquelas águas.
Ísis, então, decidiu usar um estratagema: transformou-se em uma linda donzela e, disfarçada, subornou Ani para que a levasse até a ilha de santuário de Seth, onde o seduziu com sua beleza. Quando Seth estava prestes a cair em sua sedução, ísis contou a ele que era uma viúva com um filho, cuja herança em gado havia sido tomada injustamente por seu tio estrangeiro, e perguntou o que ela deveria fazer para ajudar ofilho da viúva. Seth disse a ela que o filho dela era o verdadeiro herdeiro.
Ísis foi, então, até o conselho dos deuses onde contou a todos o que havia acontecido e, dado que o julgamento foi proferido pela própria boca de Seth, os deuses não tiveram outra alternativa senão entregar o trono a Hórus.
Seth pediu, então, que o trono fosse disputado em uma batalha entre os dois e o conselho concordou. A partir de então, os dois deuses combatem, sendo responsabilidade de Toth velar para que haja sempre equilíbrio entre as estações.
Ísis era considerada uma deusa LUNAR. Ao contrário de suas predecessoras, que eram divindades solares, a partir do Egito as deusas femininas que possuem as atribuições sexuais e de fertilidade passam a adquirir atributos lunares. Isto se deve, em parte à associação do ciclo menstrual feminino (de 28 dias) com os ciclos lunares e, em parte, com a tomada do poder pelo patriarcado, que elevou o Sol à categoria de deus masculino dominador todo-poderoso.
Afrodite

De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado por seu filho Cronos/Saturno, que atirou os genitais cortados de Urano ao mar, que começou a ferver e a espumar, esse efeito foi a fecundação que ocorreu em Tálassa, deusa primordial do mar. De aphros (“espuma do mar”), ergueu-se Afrodite e o mar a carregou para Chipre. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a maioria dos outros deuses olímpicos.
Após destronar Cronos, Zeus ficou ressentido pois tão grande era o poder sedutor de Afrodite que ele e os demais deuses estavam brigando o tempo todo pelos encantos dela, enquanto esta os desprezava a todos. Como vingança e punição, Zeus fê-la casar-se com Hefesto, que usou toda sua perícia para cobri-la com as melhores jóias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Segundo Homero, Afrodite e Hefesto se amavam mas, pela falta de atenção deste, que estava sempre envolvido com os trabalhos encomendados pelos deuses, Afrodite começou a trair o marido com Ares.
Suas festas eram chamadas de “Festas Afrodisíacas” e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Suas sacerdotisas eram consideradas prostitutas sagradas, que representavam a própria Afrodite, e o sexo com elas era considerado um meio de adoração e contato com a Deusa. Com o passar do tempo, e com a substituição da religiosidade matriarcal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista cada vez mais como uma Deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal.
Afrodite/Vênus representa as paixões incontroladas, o espírito deixado levar pelo sentimento, as forças primordiais do SENTIR, incontroláveis. Vênus simboliza a emoção pura. O desejo, ciúmes, amizade, amor, ódio, luxúria, a arte, inspiração, etc… todos os sentimentos que não podem ser controlados pela Razão são de domínio de Vênus. Tudo o que não pode ser contabilizado, quantificado ou racionalizado pertence à Esfera de Vênus… a esfera de Netzach.
Eostre

Eostre ou Ostera é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados.
A lebre (e NÃO um coelho) era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada (claro que a versão “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?” é bem mais comercialmente interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”, que é a versão original desta rima.
A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia (vide desenho neste post) e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade.
De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações judaico-cristãs. Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou novamente, o planeta Vênus). É uma Deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.
Afrodite/Vênus na Kabbalah

A Árvore da Vida representa um mapa dos estados de consciência humanos. Vamos falar mais detalhadamente sobre isso em posts futuros, mas vou fazer a referência agora e vocês podem retornar e ler novamente este texto mais tarde, ok?


Em razão de sua ligação com o amor incondicional e com as emoções, Vênus está associado na Kabbalah à sétima esfera (sephira), chamada Netzach(Vitória). Netzach representa a emoção pura, o amor, desejo, luxúria, as águas torrentes das paixões. Enquanto Hod, sua contraparte racional, é simbolizada pelos ventos frios do deserto, Netzach é associada ao elemento Água e ao lado feminino de nossos pensamentos.
Netzach está associado ao planeta Vênus, ao metal cobre, ao incenso de benzoin e rosas, às rosas, à cor verde, à esmeraldas, velas e aos cinturões. Netzach influencia os Caminhos de Qof (29), a “antiga bruxa”, a conexão entre o Emocional e o Plano Físico, representado pelo sentimento que deu origem a todas as grandes festividades ao redor das fogueiras; Tzaddi (28) a “Estrela”, que liga as fortes conexões entre o Plano Astral e o Emocional. É um caminho tão importante que Aleister Crowley o substituiu com o caminho de Heh (Imperador) no cruzamento do Abismo (falaremos sobre isto mais adiante, mas por enquanto, lembrem-se da frase “Todo Homem e toda Mulher é uma estrela”). Peh (27), a Torre, o caminho turbulento que conecta a esfera da Razão Pura à esfera da Emoção Pura. Imaginar este estado de consciência é como colocar um fanático cético com um fanático religioso para discutir. Mais cedo ou mais tarde, a estrutura vai rachar ao meio.
Da conexão entre Netzach e Tiferet está Nun (24), a terrível Morte através do sacrifício pela Humanidade, a maneira do caminho da Mão Direita para se chegar a Ascensão. A frase usada ad nauseam pelos católicos e evangélicos (“Jesus morreu para nos salvar”) vem de uma má interpretação ou de uma interpretação literal deste caminho. O quinto caminho, conectando os rituais de fertilidade com a esfera da prosperidade (Hesed) é o caminho de Koph (21), também conhecido como a “Roda da Fortuna”, que rege os ciclos da natureza.
Assim como os excessos de Hod criam os fanáticos-céticos, os excessos de Netzach criam os fanáticos religiosos: Aqueles que acreditam em algo baseados apenas na fé, sem razão nem imaginação. Como eu já disse alguns posts atrás, fanáticos ateus e fanáticos religiosos são duas faces da mesma moeda, e aqui está a demonstração. Sem equilíbrio e domínio dos quatro elementos não vamos a lugar nenhum, ficando perdidos e isolados nestas esferas que, como vocês podem observar, ocupam o mesmo grau dentro do mapa da consciência humana.
Os símbolos de Vênus

O primeiro e mais conhecido deles é o Pentagrama. Observando o céu e anotando a posição da “Estrela Matutina” durante 8 anos, o traçado do chamado “período sinódico” de Vênus forma um Pentagrama (período sinódico é o tempo que um planeta leva para retornar a uma mesma posição em relação ao sol por um observador na Terra – observe o desenho ao lado).

O outro símbolo de Vênus, que também é a sua representação planetária utilizada por cientistas e ocultistas, é este que está representado ao lado. Ele possui a chave para entender o caminho de Nun através da Mão Direita (somente através do amor e do sacrifício pela humanidade é que se consegue atingir a Iluminação).
Examinemos o símbolo de Vênus por um momento: um círculo sobreposto a uma cruz. A cruz representa o Plano Material e o Microcosmos, enquanto o círculo representa oEspírito e o Macrocosmos. A cruz representa o ciclo de reencarnações, os quatro elementos que precisam ser dominados para se chegar até o estado de Iluminado, enquanto o círculo representa o ciclo divino, já fora da Roda de Samsara. O ponto central do símbolo é a esfera de Tiferet - O Sol.

Também quero que vocês prestem atenção na estrutura da Árvore da Vida. Quando estudamos as relações entre o Microcosmo e o Macrocosmo na alquimia, podemos sublinhar alguns dos caminhos mais relevantes para este processo de Autoconhecimento: Aleph, Beth, Vav, Chet, Yod, Lamed, Sameck, Peh e o mais importante de todos: Tav.
Vamos ver o que acontece quando eu seleciono estes caminhos no diagrama:
Vejam só, crianças… que símbolo curioso surgiu!
Não é um prendedor de cinto de Ísis e muito menos um segurador de pipas, como os céticos acreditam. É o símbolo daÁrvore da Vida, retratado pelos Antigos Egípcios através do Ankh, o Símbolo da VIDA ETERNA.
E qual seria a razão pela qual o símbolo astronômico de Vênus e o Símbolo da Árvore da Vida e do caminho até Deus serem os mesmos?
Porque… não importa quanto conhecimento você adquira (Hod), não importa o quanto você seja fodão em alquimia e magia (Yesod), não importa o quão rico e bem estruturado você esteja no Plano Material (Malkuth), sem AMOR você não vai chegar a lugar nenhum.
E o Símbolo de Netzach/Vênus representa o “Tudo o que está acima é igual ao que está abaixo”. De nada adianta um mundo com tecnologia melhor que a Atlântida se a humanidade continua fazendo as mesmas merdas… e 2012 está logo ai.


Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
There’s nothing you can do that can’t be done.
Nothing you can sing that can’t be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game
It’s easy.
There’s nothing you can make that can’t be made.
No one you can save that can’t be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be in time
It’s easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
There’s nothing you can know that isn’t known.
Nothing you can see that isn’t shown.
Nowhere you can be that isn’t where you’re meant to be.
It’s easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
All you need is love (all together now)
All you need is love (everybody)
All you need is love, love, love is all you need.
Fonte: Retirado do site: Teoria da Conspiração

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Sutileza de Afrodite ...


A sutileza de Afrodite pode ser vista no modo como falamos docilmente quando queremos algo ...
Quando hipnotizamos homens e mulheres, amigos e conhecidos, com nosso jeito ...
Quando beijamos, abraçamos, quando damos prazer a nós mesmas e a outrem ...
Quando passamos maquiagem, brigamos, fofocamos, falamos asneiras e até mesmo assuntos mais sérios ...
Quando fazemos brigadeiro e comemos na panela mesmo ...
Quando fazemos nossas magias de amor e autoestima ...
Quando agimos com caridade com nossos irmãos e irmãs ...
Quando aconselhamos, mas também somos aconselhadas ...
Adoro sentir a Deusa em mim, seu êxtase, seu riso, seu fascínio e sua sutileza, adoro quando posso ser um receptáculo de sua energia divina, quando sou usada para seus propósitos e quando posso ser chamada de sua filha e de sua sacerdotisa.
Que assim seja e assim se faça !!
Kairé Afrodite !!
Beijos e Bençãos da Deusa mais bela que foi e sempre será Afrodite!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quando eu encontrar Afrodite ...

Quando eu encontrar Afrodite, eu direi a Ela muito obrigada, muito obrigada por fazer eu encontrar o meu amor próprio em vez de procurar por um amor falso por aí ...
Quando eu encontrar Afrodite, agradecerei por cada instante passado ao lado dos meus queridos, dos que amo mais que tudo nesta terra ...
Quando eu encontrar Afrodite, eu direi a Ela muito obrigada por fazer eu encontrar a beleza que existe dentro e fora de mim, em meu corpo, em minha mente, em minha casa, em minha vida ...
Quando eu encontrar Afrodite, encontrarei a verdadeira paixão que nunca se extinguiu, que nunca se  foi, que nunca se esvaiu ...
Afrodite está dentro e fora de mim, está nos textos que eu escrevo, nas coisas que faço, nos meus cadernos, na minha maquiagem, na minha família, na minha beleza, nas minhas palavras, na minha pele, nas minhas músicas, no meu sacerdócio e em cada parte do meu ser ...
Deusa, espero cada vez mais te encontrar e acima de tudo, te servir da melhor maneira possível, da maneira que Você desejar ...
Assim seja e assim será !
Escrito por : Esthefany M. Evaristo de Andrade

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Os feitos e a natureza de Afrodite


Raramente se conseguia convencer Afrodite a emprestar as outras deusas seu cinto mágico, que fazia com que todos se apaixonassem pela portadora, pois tinha muito ciúmes de sua vantajosa posição. Zeus a havia cedido em matrimonio a Hefesto (Vulcano, entre os romanos), o deus ferreiro coxo, mas o verdadeiro pai de seus três filhos - Fobos, Deimos e Harmonia - era Ares, o impetuoso, ébrio e irascível deus da guerra, de membros fortes e bem formados. Hefesto ignorava a traição, ate que, uma noite, os amantes permaneceram tempo demais na cama do palácio de Ares, na Trácia. Quando Hélio se levantou e viu que estavam se divertindo, foi contar tudo a Hefesto.

Hefesto retirou-se furioso para a sua ferraria e, a golpes de martelo, forjou uma rede de caça em bronze, tão fina como uma teia de aranha mas inquebrável, que atou secretamente aos pilares e as laterais de seu leito matrimonial. Quando Afrodite voltou da Trácia, toda sorridente, dizendo que havia resolvido certos assuntos em Corinto, seu marido lhe disse:

- Perdoe-me, querida, farei um breve retiro na ilha de Lemnos, minha favorita.

Afrodite não se ofereceu para acompanha-lo e, quando o perdeu de vista, apressou-se em chamar Ares, que veio imediatamente. Os dois se atiraram alegremente na cama, mas, ao amanhecer, viram-se envoltos na rede, nus e incapazes de escapar. Ao regressar de sua viagem, Hefesto os surpreendeu ali e chamou todos os deuses para testemunhar sua desonra. Anunciou então que não libertaria a esposa enquanto não recebesse de volta os valiosos presentes nupciais que entregara a Zeus, pai adotivo de Afrodite.

Os deuses logo se prontificaram a contemplar o embaraço de Afrodite.

As deusas, por delicadeza, ficaram em casa. Apolo cutucou Hermes:

- Você não se importaria em estar no lugar de Ares, com rede e tudo, não? - Perguntou.

Hermes disse, jurando por sua própria cabeça, que não se importaria em absoluto, mesmo que houvesse três vezes mais redes e que todas as deusas estivessem olhando com desprezo. Diante de tal resposta, ambos explodiram em gargalhadas. Mas Zeus estava tão desgostoso que se negou a devolver os presentes nupciais ou a interferir numa vulgar disputa entre marido e mulher, declarando que Hefesto era um estupido por ter propalado o assunto. Ao ver o corpo desnudo de Afrodite, Posídon apaixonou-se por ela, mas ocultou a inveja que sentia de Ares, fingindo simpatizar com Hefesto:

- Já que Zeus se recusa a ajudar - disse Posídon -, providenciarei para que Ares pague, para ser liberado, o equivalente aos presentes nupciais em questão. - Assim está muito bem - replicou Hefesto, triste. - Mas, se Ares não cumprir a obrigação, você terá de substitui-lo embaixo da rede.

- Em companhia de Afrodite? - perguntou Apolo, rindo.

Não creio que Ares falte com a palavra - disse Posídon, com nobreza - Mas, se o fizer, estou disposto a pagar eu mesmo a divida e a me casar com Afrodite.

Assim, Ares foi colocado em liberdade e voltou para a Trácia, enquanto Afrodite foi para a ilha de Pafos, onde renovou sua virgindade no mar.

Lisonjeada pela sincera confissão de amor de Hermes, Afrodite passou uma noite com ele, e o fruto deste ato foi Hermafrodito, uma criatura com os dois sexos. Igualmente contente com a intervenção de Posídon em sua defesa, ela lhe deu dois filhos, Rodo e Herofilo. É desnecessário dizer que Ares se omitiu, alegando que, se Zeus não se dispôs a pagar, por que ele o faria? No final, ninguém pagou porque Hefesto estava loucamente apaixonado por Afrodite e não tinha intenções reais de se divorciar dela.

Mais tarde, Afrodite entregou-se a Dionísio, dando-lhe Priapo, um menino feio com um falo descomunal (foi Hera quem lhe deu essa aparência obscena a fim de punir Afrodite por sua promiscuidade). Ele era jardineiro e carregava consigo um podao.

Embora Zeus nunca tenha se deitado com sua filha adotiva Afrodite, como afirmam alguns, a magia de seu cinto submeteu-o a constantes tentações, e, finalmente, ele decidiu humilha-la, fazendo-a apaixonar-se perdidamente pelo mortal Anquises, o atraente rei dos dardanos e neto de Ilo. Uma noite, quando dormia em sua cabana de pastor, no monte Ida, em Troia, Afrodite veio visita-lo disfarçada de princesa frigia, envolta numa deslumbrante túnica vermelha, e se entregou a ele num leito de peles de ursos e leões, enquanto as abelhas zumbiam sonolentas ao seu redor. Quando se separaram, ao amanhecer, ela revelou sua identidade e o fez prometer que não contaria a ninguém que ela havia partilhado o leito com ele. Anquises ficou horrorizado ao descobrir que havia violado a nudez de uma deusa e suplicou-lhe que poupasse sua vida. Ela lhe garantiu que não tinha nada a temer e que o filho que teriam haveria de ser famoso. Alguns dias depois, enquanto Anquises bebia com os amigos, um deles lhe perguntou:

- Você não preferiria dormir com a filha de cicrana e beltrano a ter nos braços a própria Afrodite?

- Por certo que não - respondeu ele com imprudência. - Tendo dormido com as duas, considero absurda a pergunta.

Zeus escutou a bazofia e lançou um raio contra Anquises, que teria morrido na hora não houvesse Afrodite usado seu cinto para desviar o corisco na direção da terra onde estavam seus pés. De qualquer modo, o impacto enfraqueceu Anquises de tal maneira que nunca mais ele foi capaz de se manter em pé, e Afrodite, pouco depois de dar a luz seu filho Eneias, perdeu toda a paixão por ele.

Um dia, a mulher do rei Ciniras, do Chipre - também chamado rei Fenix, de Biblos, e rei Teias, da Assíria -, teve a leviandade de alardear que sua filha Esmirna chegava a ser mais bela que Afrodite. A deusa vingou-se desse insulto fazendo Esmirna apaixonar-se pelo pai e esgueirar-se furtivamente para a cama dele numa noite escura, depois de mandar que sua aia o embebedasse a ponto de perder a noção do que fizesse. Mais tarde, Ciniras descobriu que era ao mesmo Tempo pai e avo do futuro filho de Esmima e, num ataque de ira, empunhou uma espada e a perseguiu ate expulsa-la do palácio. Alcançou-a no alto de uma colina, meas Afrodite apressou-se em transformá-la em uma árvore de mirra, que a espada cortou pela metade. Dela saiu o menino Adônis. Afrodite, já arrependida da maldade que havia cometido, escondeu o recém-nascido em um cofre e o confiou a Perséfone, Rainha da Morte, pedindo-lhe que o guardasse em um lugar escuro.

Perséfone ficou muito curiosa e abriu o cofre, encontrando Adônis lá dentro. Ele era tão adorável que ela o pegou nos braços e o levou para seu palácio. A noticia chegou a Afrodite, que imediatamente se apresentou no Tártaro para reclamar Adônis. Mas, diante da recusa de Perséfone, que o havia convertido em seu amante, apelou a Zeus. Dando-se conta de que Afrodite também queria deitar-se com Adônis, Zeus negou-se a julgar uma disputa tão vulgar e transferiu assunto para um tribunal menor, presidido pela musa Caliope. Seu veredito foi Perséfone e Afrodite tinham o mesmo direito sobre Adônis: Afrodite por ter dado o seu nascimento e Perséfone por tê-lo resgatado do cofre, mas que a deveriam ser concedidas breves ferias anuais para poder descansar das exigências amorosas dessas duas deusas insaciáveis. Portanto, Caliope dividiu o ano em três partes iguais, uma das quais Adônis dedicaria a Perséfone, outra a Afrodite e a terceira a si mesmo.

Afrodite foi ardilosa: valendo-se de seu cinto mágico, convenceu Adônis a dedicar-lhe o tempo que tinha para si mesmo e a detestar o período dedicado a Perséfone, descumprindo, portanto, a sentença do tribunal.

Perséfone, legitimamente ofendida, foi a Trácia para contar a seu benfeitor Ares que agora Afrodite o estava preterindo por causa de Adônis.

- É um simples mortal - gritou ela -, e, ainda por cima, efeminado! Enciumado, Ares metamorfoseou-se em javali, correu ao morte Líbano, onde Adônis estava caçando, e o escornou ate a morte diante dos olhos de Afrodite. De seu sangue brotaram anêmonas, e sua alma desceu ao Tártaro. Afrodite foi ter com Zeus e, aos prantos, suplicou-lhe que Adônis não passasse mais do que a metade mais melancólica do ano com Perséfone e que fosse o seu companheiro durante os meses de verão. Zeus aquiesceu magnanimamente. Mas há quem diga que o javali era, na verdade, Apolo, vingando-se de uma ofensa que Afrodite lhe havia feito.

Certa vez, para fazer ciúmes a Adônis, Afrodite passou varias noites em Lilibeu com o argonauta Butes, com quem teve o filho Erice, que se tornou rei da Sicilia. Com Adônis teve Golgos, fundador de Golgi, no Chipre, e uma filha, Beroe, fundadora de Beroea, na Trácia. Há quem diga inclusive que foi Adônis, e não Dionísio, o pai de seu filho Priapo.

As Moiras determinaram para Afrodite um único dever divino: fazer amor. Mas um dia Atena surpreendeu-a trabalhando secretamente em um tear e foi se queixar de que suas próprias prerrogativas estavam sendo infringidas, ameaçando abandoná-las por completo. Afrodite desculpou-se profusamente e desde então jamais voltou a realizar um trabalho manual sequer.

Os helenos posteriores diminuíram a importância da grande deusa do Mediterrâneo - durante muito tempo, deusa suprema de Corinto, Esparta, Tespias e Atenas -, colocando-a debaixo da tutela masculina e considerando suas solenes orgias sexuais como indiscrições adulteras. Homero descreve Afrodite presa por Hefesto em uma rede que originalmente pertencia a ela, como deusa do mar, e que provavelmente era usada por sua sacerdotisa durante o carnaval da primavera. A sacerdotisa nórdica Holle, ou Gode, fazia o mesmo no Dia de Maio.

Príapo teve origem nas rudes imagens fálicas de madeira que presidiam as orgias dionisíacas. Foi considerado filho de Adônis por causa dos "jardins" em miniatura ofertados durante suas festas. A pereira era consagrada a Hera como deusa principal do Peloponeso e, por conseguinte, ela foi chamada de Apia.

Afrodite Urânia ("rainha da montanha'), ou Ericina ("deusa da urze"), era a deusa-ninfa de meados do verão. Ela destruiu o rei sagrado, com quem copulou no cume de uma montanha, da mesma maneira que a abelha-mestra aniquila o zangão: arrancando-lhe os órgãos sexuais. Isso explica as abelhas amantes da urze e a túnica vermelha, elementos presentes em seu romance com Anquises em cima da montanha, bem como o culto de Cibele, a Afrodite frigia do monte Ida como abelha-mestra, e a extática autocastração de seus sacerdotes em memória de seu amante Atis.

Anquises era um dos vários reis sagrados feridos com um raio ritualístico após terem sido consortes da deusa da morte-em-vida. Na versão mais antiga do mito ele era assassinado, mas nas posteriores consegue escapar: para justificar a história de como o bondoso Eneias, que levou o sagrado Paládio a Roma, conseguiu salvar seu pai quando a cidade de Tróia estava em chamas. Seu nome identifica Afrodite com Isis, cujo esposo Osíris foi castrado por Seth disfarçado de javali. De fato, "Anquises" é um sinônimo de Adônis. Um santuário de Anquises em Egesta, perto do monte Erix, levou Virgílio a concluir que ele morreu em Drépano, uma cidade vizinha, e foi enterrado na montanha. Na Trôade e na Arcádia surgiram outros santuários a ele. Um favo de mel de ouro exposto no santuário de Afrodite, no monte Erix, parece ter sido uma oferenda votiva de Dédalo por ocasião de sua fuga para a Sicília.

Como deusa da morte-em-vida, Afrodite recebeu muitos títulos que parecem incompatíveis com sua beleza e complacência. Em Atenas era conhecida como a Maior das Moiras e irmã das Erínias e, em outros lugares, como Melenis "a negra", nome que significaria, segundo uma ingênua explicação de Pausânias, que a maior parte dos atos sexuais ocorre durante a noite. Outros nomes são: Escócia ("a escura'), Andrófonos ("assassina de homens") e, segundo Plutarco, Epitímbria ("das tumbas").

O mito de Ciniras e Esmirna registra evidentemente um período da História em que o rei sagrado, numa sociedade matrilinear, decidiu prolongar seu reinado para além da duração habitual. E o fez casando-se com a jovem sacerdotisa - em teoria, sua filha - que viria a ser rainha no próximo mandato, para impedir que algum principezinho se casasse com ela e pusesse fim a seu reino.

Adonis (do fenício adon, "senhor") é uma versão grega do semideus sírio, Tamus, o espírito da vegetação anual. Na Síria, na Ásia Menor e na Grécia, o ano sagrado da deusa se dividia em três partes, regidas pelo Leão, pela Cabra e Serpente. A Cabra, emblema da parte central, pertencia à deusa amor, Afrodite; a Serpente, emblema da ultima parte, à deusa da morte, Perséfone; e o Leão, emblema da primeira parte, era consagrado à deusa do parto, chamada aqui de Esmirna, que não tinha nenhum direito sobre Adônis. Na Grécia esse calendário deu lugar a um ano de duas estações, dividido no estilo oriental pelos equinócios, como em Esparta e em Delfos, ou pelos solstícios, segundo estilo ocidental de Arenas e Tebas. Isso explica as diferenças entre os respectivos veredictos de Zeus e da deusa da montanha Caliope.

Tamus foi morto por um javali, como diversos personagens míticos semelhantes: Osíris, o Zeus cretense, Anceu da Arcádia, Carmanor da Lídia e o herói irlandês Diarmuid. Esse javali parece uma vez ter sido uma porca com presas em forma de meia-lua, ou seja, a própria deusa na figura de Perséfone. Mas, quando se dividiu o ano, a estação luminosa passou a ser regida pelo rei sagrado, e a metade escura, pelo seu sucessor, o rival, que aparecia disfarçado de javali selvagem - como Seth, quando matou Osíris, ou como Finn mac Cool, quando matou Diarmuid. O sangue de Tamus e uma alegoria das anemonas que cobriam de vermelho as encostas do monte Líbano depois das chuvas invernais. Em Biblos celebrava-se, a cada primavera, a Adônia, festa funeral em homenagem a Tamus. O nascimento de Adônis a partir de uma árvore de mirra - um afrodisíaco bem conhecido - demonstra o caráter orgiástico de seus ritos. As gotas de resina que essa árvore exsuda são supostamente as lágrimas por ele derramadas. Higino faz de Ciniras o rei da Esfria, talvez porque o culto a Tamus parecesse ter tido ali sua origem.

Hermafrodito, filho de Afrodite, era tão jovem com cabelos longos e seios de mulher. Tal como a androgina, ou mulher barbuda, o hermafrodita tinha, naturalmente, sua extravagante contrapartida física, mas, como conceitos religiosos, ambos surgiram durante a transição do matriarcado para o patriarcado. Hermafrodito e o rei sagrado, representante da Rainha, que porta seios artificiais. Andrógina é a mãe de um clã pré-helênico que conseguiu evitar o patriarcado, e, para manter seus poderes magistrais ou enobrecer os filhos nascidos dela com um pai-escravo, adota uma barba falsa, como era o costume em Argos. As deusas barbudas, como a Afrodite cipriota, e os deuses efeminados, como Dionísio, correspondem a essas etapas sociais de transição.

Harmonia [e, a primeira vista, um nome estranho para uma filha nascida de Afrodite e Ares, mas naquela época, assim como agora, o que prevalecia em um Estado que estava em guerra era mais do que simplesmente carinho e harmonia.
Retirado do site: www.mitologia.templodeapolo.net
Autor: Robert Graves